Comportamento
publicado em 14/10/2010 às 04h50.
Crianças com idades diferentes em casa
Não queira igualá-las

Ela ainda brinca de boneca e ele gosta de jogar videogame. Ele gosta de assistir desenho animado e ela de se maquiar com as amigas. Essas situações são comuns no dia a dia de uma família que tem dentro de casa crianças com idades diferentes.
Mas o convívio de irmãos mais velhos com mais novos também tem por objetivo favorecer a socialização entre eles, com um ajudando o outro, principalmente os mais velhos, auxiliando os mais novos com o que pode ou não ser feito, tarefas escolares e até mesmo fazendo companhia.
“Se você tem dois filhos com idades próximas, além de ter a experiência da primeira educação, tem a comodidade de criá-los juntos e ter suas responsabilidades muito próximas também. Ou seja, como diz o jargão popular: ‘Criar dois de uma vez só.’ Por outro lado, a diferença de idade faz com que você curta mais o primeiro filho e, depois dele mais crescidinho, possa se dedicar com mais calma ao segundo”, comenta a assessora de imprensa Cristiane Fernandes, mãe de Giulia, de 9 anos, e Rafael, de 3.
Na opinião da psicóloga Nadjêda Licia Mello, mãe de Theobaldo, de 2 anos e meio, se a idade for muito diferente, é difícil a criação, por conta de cada criança estar diante de uma fase da vida, com desenvolvimentos diferentes e necessidades desiguais para serem atendidas. “A grande preocupação que os pais devem ter é não negligenciar as exigências e necessidades de nenhum dos dois, e nem querer igualá-los, fazendo as mesmas cobranças aos filhos”.
“No meu caso, a vantagem é que tive a Giulia primeiro, e quando ela tinha 6 anos, nasceu o Rafael. Ela, de certa maneira, me ajudou com ele. Por exemplo, enquanto eu fazia alguma atividade de casa, ela o olhava no carrinho. E também já fazia algumas coisinhas sozinha, sem ter minha ajuda, o que facilitava”, lembra Cristiane.
Segundo Nadjêda, é importante que haja muita conversa dentro de casa e com todos da família, para que o mais velho não sofra, se sentindo excluído, mas sim que entenda que o mais novo exige mais atenção, pois é mais dependente. Ele também deve se sentir útil, ajudando nas trocas de roupa, montagem das mochilas e outras situações.
“A rotina é puxada, justamente pelos horários que não são os mesmos. A Giulia estuda de manhã, o Rafael, à tarde. Quem fica com eles enquanto eu trabalho é minha sogra, que me dá uma ajuda tremenda. Mas não é fácil ajustar as rotinas”, finaliza a assessora.
De acordo com a psicóloga, apesar das brincadeiras diferentes, dos momentos intimistas – em que a presença do irmão atrapalha – ou de cobrança de atenção por parte do outro, ser criança é muito bom, e onde quer que elas estejam há sempre motivo para felicidade. “Mesmo que haja desentendimentos entre os irmãos, é natural, pois os pensamentos não são iguais e a maneira de agir também não, principalmente quando há diferença de idade”, conclui.
