Comportamento

Quando um sonho nasce, não há impossibilidades

Ainda mais quando o céu não é o limite

Por Tany Souza / Foto: arquivo pessoal
tany.souza@arcauniversal.com

Olhar para o céu e se imaginar voando. Era isso que Adeilson Teixeira  fazia na infância, enquanto brincava ou vendia sorvete.

Nascido em Governador Valadares, interior de Minas Gerais, sempre trabalhou para ajudar a família, composta por 10 irmãos, filhos de Wilson e Maria Teixeira. “Trabalhávamos de dia para comer à noite, como se diz hoje.”

Toda a família morava em um terreno doado pela Prefeitura, mas a casa era de madeira. “Somente depois de muito tempo conseguimos construir uma de tijolos, quando eu tinha 14 anos.”

Mas foi ainda mais novo que ele sentiu o desejo de voar. “Aos 11 anos, eu brincava de aviãozinho quando olhei para cima e vi uma pessoa voando de asa delta. Eu queria fazer aquilo, mas não sabia como”, conta ao lembrar-se da sua infância humilde e sem muitas perspectivas de vida.

Isso aguçou tanto sua curiosidade e desejo que um dia, quando uma asa delta passou bem baixinho, ele resolveu correr atrás para ver de perto. “Ela pousou em uma fazenda e eu fui ver como era. Lembro até hoje que era um carioca, muito prestativo, que ouviu e respondeu todas as minhas perguntas. Então, descobri de que lugar ele estava decolando.”

Foi neste pequeno ímpeto de curiosidade que sua vida começou a mudar, mas sem ele perceber. Como vendia sorvete à tarde, Adeílson começou a subir o Pico do Ibituruna (montanha com cerca de 900 metros de desnível, em Governador Valadares) todas as manhãs. “Eu ajudava a montar o equipamento dos pilotos, a organizar tudo e, claro, também vendia sanduíche, picolé e tudo o que pudesse me dar dinheiro.”

Em meio a essa disposição em auxiliar a montar e desmontar asas deltas e parapentes ele fez muitas amizades, a ponto de as pessoas o chamarem para subir a montanha e ajudá-las.

Porém, foi em 1998, quando já conhecia pilotos de todas as partes do mundo, que Adeilson foi chamado oficialmente para trabalhar nessa área. “Um grande amigo me convidou para ajudá-lo com as equipes dele. Eu era o ‘faz tudo’, organizava as pessoas, verificava as condições técnicas e climáticas. Foi assim que aprendi muito, porque tudo o que eu perguntava, ele me ensinava.”

Sensação de liberdade

E aconteceu seu primeiro voo de parapente. “Eu já tinha voado de asa delta, mas depois que tive essa experiência, me apeguei de uma forma que não dá para explicar.”

O destino dele estava mesmo no ar, na sensação de liberdade, em um simples sonho de voar, de estar acima de tudo. E tudo só estava no começo.

No ano seguinte, ele ganhou um curso em Santos, cidade do litoral paulista. “Fiz aulas de parapente e, em apenas 3 semanas, já estava fazendo voos sozinho.” O que ele não esperava era encontrar um trabalho e ficar mais 4 anos por lá. Em Santos, começou a participar de campeonatos nacionais e já contava com empresas apoiadoras. “Eu pegava roupas de uma loja e vendia para conseguir comer e viajar para as competições.”

Como começou a ficar bem colocado em rankings brasileiros, em 2002 Adeílson foi convidado para participar de um campeonato pré-mundial em sua terra natal. “Fiquei em 15º e até ganhei troféu de revelação”, fica orgulhoso ao relembrar.

Enquanto isso, seus pais continuaram morando em Minas e ele em Santos, do lado da rampa de decolagem, “para não perder muito tempo com a subida”, como ressalta.

Desde então, ele participou de inúmeras competições, fazia voo duplos e dava aulas em várias escolas. “Era assim que eu sobrevivia, e ainda fazia uns freelancers de vez em quando.”

Em 2010, Adeilson abriu sua própria escola, em Florianópolis, Santa Catarina, Região Sul do País. “Cheguei a cidade por um convite de um amigo para trabalhar e acabei ficando.”

Estruturar seu próprio espaço foi mais que uma realização pessoal, foi uma comprovação de que um sonho pode se tornar concreto. “Eu não me vejo fazendo outra coisa na vida. Eu amo o que faço.Desde criança, algumas pessoas me olhavam e me chamavam de ‘trombadinha’, dizendo que eu não tinha jeito. Mas, muitas outras me incentivaram, e isso faz muita diferença para quem ouve. Eu acreditei, e Deus abriu as portas.”

Hoje, os pais de Adeilson moram em Florianópolis, junto com alguns irmãos. “Eu visitava meus pais e voltava triste por não conseguir ajudá-los e ver a situação deles. Felizmente, agora a realidade é outra e eu posso dar um mínimo de estrutura para eles viverem.”

3 Comentário(s)

Adeilson Postado em:

Agradeço à DEUS sempre... Obrigado Senhor!!!

Rafael Mendonca Postado em:

Bacana mesmo, determinacao, sonho sendo concretizado e algo que ele faz por Amor realmente, sem esperar recompensa, e naturalmente ele foi colhendo os frutos!

Gliciane Oliveira Postado em:

Que bacana, acreditar em um sonho e ir em busca até realizar! :)

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