Comportamento
publicado em 13/04/2011 às 04h50.
Professor como mediador de conflitos em sala de aula
Especialistas acreditam que é dever da escola formar o educador para esse fim

A sala de aula é um ambiente onde os estudantes são obrigados a se relacionar por um longo período de tempo. Por conta disso, naturalmente, dentro das escolas surgem vários conflitos interpessoais. Entre os adolescentes, que costumam estar no segundo ciclo do ensino fundamental, a tendência é que as divergências sejam mais acentuadas ainda. No entanto, muitos professores não estão preparados para lidar com tais questões.
Alguns especialistas acreditam que é dever da escola formar o educador para esse fim. Caso a instituição pretenda capacitar seus profissionais com autonomia moral, é imprescindível que haja um trabalho específico e sistemático nesse caminho.
Os docentes da Escola Stance Dual, em São Paulo, têm recebido apoio da entidade para tratar dessa questão. "Na constituição do horário do nosso professor, existe um tempo fora de sala de aula, remunerado, no qual ele pode trazer questões relacionadas a conflitos para a direção", conta Ana Claudia Correa, orientadora educacional do ensino fundamental.
Segundo ela, essa ação ocorre individualmente, toda semana, e, depois, quinzenalmente, com os conflitos da série; por fim, trimestralmente, momento em que toda a escola se reúne. “Nesse ano, esse espaço está dedicado ao projeto Mediação de Conflito; uma estratégia que se baseia na construção de valores. A tendência, no geral, é que o professor não perceba o conflito, já que os alunos, principalmente os adolescentes, possuem maneiras de velá-lo", ressalta.
É preciso ouvir o outro
Também é importante que o professor marque os momentos de desentendimentos entre os alunos e converse com todos os envolvidos, com o objetivo de criar propostas que solucionem o impasse. "Não se trata apenas de dizer: ‘Peça desculpas ao colega”, mas sim mediar uma conversa para que um ouça o outro", diz a orientadora.
Adotando essa metodologia, a maior parte dos conflitos na escola é sanada. "Os alunos não têm recursos próprios para isso. Não adianta impor regras dizendo que não pode falar mal do colega. A ideia é que, nas tomadas de decisões, eles façam boas escolhas por si só", destaca Ana Cláudia.
O trabalho não consiste em estabelecer o diálogo. Além disso, podem ser realizadas leituras, dinâmicas e atividades que auxiliem o professor nesse projeto. Outro momento que favorece esse processo é a Roda de Convivência: encontros dos alunos de cada série em sala de aula, com pauta pré-definida, em que são discutidas questões relativas ao convívio.
Para a orientadora, o mais interessante é que, com o tempo, os alunos é que acabam procurando o professor para que faça a mediação dos conflitos. Dessa forma, as tensões diminuem consideravelmente.
"As dinâmicas permitem que os alunos falem sobre suas emoções e desenvolvam questões afetivas. É algo construído. O desenvolvimento cognitivo e afetivo caminham juntos. Quando você consegue trabalhar os dois, tem um sujeito mais equilibrado para obter um desenvolvimento integral”, avalia Ana Cláudia.
