Comportamento
publicado em 24/07/2010 às 04h50.
Escolha afetiva
O que nos leva a escolher alguém para um relacionamento amoroso?

Entre tantas pessoas à nossa volta, o que nos faz escolher determinado parceiro ou parceira? Além do sentimento, há outros fatores que orientam essa escolha? Pelo menos na intenção, todos procuram alguém com quem possam construir uma relação duradoura. Nem sempre isso dá certo, mas muitos casais já conseguiram constituir uma família em harmonia, mesmo diante das diferenças e das dificuldades pelas quais todos passam.
Em entrevista ao Arca Universal, a psicóloga Margareth dos Reis, terapeuta sexual e de casais do Instituto H. Ellis, em São Paulo, ajuda o leitor a entender melhor o que determina essa escolha, bem como fala de mitos e verdades sobre o tema.
Por que escolhemos determinada pessoa? Por que ela, e não outra? Há algo baseado na ciência, e não somente nos sentimentos, para definir isso?
Sempre existe uma influência muito forte do ambiente em que a pessoa se desenvolve. A forma como foi criada influencia na escolha, mesmo inconscientemente. Conflitos familiares, por exemplo, às vezes levam a pessoa a repetir o modelo mais tarde ao escolher seu parceiro. Ela repete a situação, como se não fosse possível achar outra saída. Mas também pode acontecer o contrário, de ela escolher uma pessoa que significa totalmente o oposto da situação passada. Ela está sempre tentando fugir daquelas situações que vivia. Mesmo que fuja, isso mostra que ela ainda está presa ao modelo que rejeita. E procurar alguém que contrarie aquele modelo, que não era muito feliz, não é nenhuma garantia de que se dará bem. Com o tempo, o estilo da pessoa escolhida pode não oferecer tudo o que quem escolheu gostaria de ter em um ambiente amoroso. Pode não dar certo, principalmente se a pessoa não conversa sobre isso, não se trata em relação ao assunto.
Que fatores, além do ambiente, determinam ou contribuem para a escolha?
Um deles é a pré-disposição pessoal para encarar uma relação. Acima de tudo, a pessoa precisa estar disposta a enfrentar uma relação amorosa com tudo o que a envolve de bom e de ruim. Sem essa vontade, nada acontece, mesmo que ela simpatize com alguém e veja nele um potencial parceiro. Outro fator é o padrão de interpretação dos acontecimentos à sua volta, como a pessoa os encara, e isso vai sendo edificado e modificado durante a vida. Com o tempo, o indivíduo percebe o quanto é responsável por aquilo que vai viver no relacionamento amoroso. Não há casais melhores ou piores, mas há aquele casal que “funciona bem” junto. E para esse bom funcionamento, sempre é necessária a participação dos dois lados, mesmo que um deles participe silenciando em alguns momentos para evitar conflitos, administrando isso.
O ditado “os opostos se atraem” influencia mesmo algo?
As diferenças devem sempre ser avaliadas. Em relacionamentos, há diferenças que enriquecem a vida a dois, mas também há aquelas intransponíveis. No início, a tendência é a pessoa sempre mostrar sua melhor parte. Na convivência, com o tempo, ambos sentem as diferenças e percebem se são administráveis ou se trarão problemas. Mas administrar não significa tentar mudar a pessoa. Além disso, diferenças que não incomodavam tanto no início, com o tempo podem passar a incomodar mais. Mas conversar sempre ajuda.
Há pessoas que procuram elas mesmas projetadas em outras?
Isso é muito comum. Devemos entender que para conhecer outra pessoa devemos nos conhecer bem, nossos sentimentos, motivações, o que toleramos, quais os nossos limites. Depois, devemos conhecer o outro. Nunca devemos idealizar. Quando você se conhece melhor, este autoconhecimento favorece conhecer e entender a outra parte. É nisso que se baseiam as escolhas mais promissoras. Para uma relação satisfatória, é necessária uma comunicação sem ruídos. São necessários projetos de vida a dois, com algumas eventuais alternativas decididas de comum acordo.
Qual o maior perigo de alguém ter uma ideia pré-concebida sobre seu futuro companheiro (a)?
Certamente isso acontece. É comum quando não se convive o suficiente para conhecer. Alguém se sente atraído por outrem e só se baseia nisso, já colocando suas fantasias na relação. É como se no início o outro fosse um personagem, mas na convivência vai dando lugar à pessoa real. É aí que aparecem as frustrações, principalmente quando os dois não mudam, não discutem o relacionamento. Eu sempre falo que não existe um culpado nesses casos, sua percepção é que falhou. Há um espaço que você oferece para o outro ocupar em sua vida, e às vezes essa posição não é confortável para ele. De novo entra a questão da conversa, pois essa posição tem que ser bem definida, porém flexível.
Há combinações de parceiros com mais chance de sucesso que outras?
Primeiro, é essencial a disposição para o relacionamento. Criar uma história com alguém requer crescimento juntos. Para isso, é necessário encontrar uma pessoa que você admire, respeite e queira vê-la se realizando. Importante: essa relação e esse respeito têm de ser mútuos. Com generosidade e flexibilidade, além destes outros atributos citados, o casal alimenta bem a relação, o vínculo amoroso. Por isso tudo, só a vontade não determina. Só o amor não basta. A disposição é muito importante.
Há um tempo específico para a pessoa saber se a outra é seu “par ideal”?
É muito relativo. É claro que é necessário conviver por um tempo para conhecer. Você precisa saber se o outro mantém um estilo de comportamento, um equilíbrio diante da vida em todos os setores que gravitam em torno dela. Eu brinco, para explicar, que muita gente acaba se unindo ao príncipe ou à princesa, e depois percebe que se juntou foi ao sapo ou à bruxa. E só percebe isso depois que assumiu um compromisso.
Existe a tão chamada “alma gêmea” ou isso não passa de crendice?
É um mito. Muita gente acha que a tal alma gêmea é alguém que já veio pronto ou pronta para ela. Isso simplesmente não existe. O que pode acontecer é a pessoa se referir à outra como sua alma gêmea quando o casal se dá muito bem, tem um relacionamento muito bem-sucedido. Funciona só como uma descrição, é uma consequência. Um casal assim tem muito fortes a sintonia e a intimidade, construídas durante o relacionamento. Formam uma história com um enredo que ambos apreciam. Definitivamente, não existe um relacionamento amoroso “escrito nas estrelas”.
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15 Comentário(s)
hellenlopes Postado em:
Amei esta matéria é muito legal, de verdade!!!
raquel Postado em:
Gostei. Eu espero no senhor a pessoa certa. E aquele ditado "não é tu, vai tu mesmo" está amarrado, hein!
josé wilker pereira de souza Postado em:
Eu gostei muito!!
wilma pereira de souza Postado em:
Muito interesssante.
Ismael Francisco de Sales Postado em:
Muito importante e tratar esse assunto. E essa matéria o trata de forma suscinta e eficiente (do tipo perguntas e respostas). Muito boa.
Giane Postado em:
Interessante. Com respeito á palavra"Alma gêmea", muita gente ainda associa a "alguém perfeito".
meire Postado em:
interessante
carmem Postado em:
ótima matéria
jose canuto baraja Postado em:
aunque no hablo portugues, me gusta lo que he leido,si uso la cabeza pienso que en mi vida solo cabe la posibilidad de que mi pareja sea de IURD,por otra parte pienso que con mi pasado dificilmente me aceptarÃa una persona, porque no me entenderÃa,pero debido a mi mala situación economica me cuesta dar un paso adelante y a veces despues de mas de un año sin mujer y de la soledad familiar que estoy pasando me vienen malos pensamientos solo la oración me hace salir de ellos .
Vera Lúcia A. de Oliveira Postado em:
Muito importante o assunto, a disposição em querer sempre investir no relacionamento é relevante para a consolidação amorosa, surpreendendo o parceiro diariamente, sempre. Tem o querer fazer, e não somente sonhar, sonhar leva tempo, mas fazer é concretizar.
