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Colunista

A LUCRATIVA INDÚSTRIA DA SUSTENTABILIDADE
Os supermercados brasileiros vão economizar cerca de R$ 500 milhões por ano com o fim da distribuição das sacolinhas plásticas para o transporte de mercadorias, fora os lucros provenientes da venda de sacolas reutilizáveis, igualmente poluentes. Mas a lucrativa indústria da sustentabilidade não para por aí. Se as embalagens plásticas deixaram de ser fornecidas, seria razoável que os empresários do setor deixassem de cobrar pelo produto, o que representaria uma queda de 0,20% sobre todas as mercadorias adquiridas nesses estabelecimentos. Mas não é isso o que acontece. Na prática, o consumidor continua pagando pelas sacolinhas, mas não tem o direito de levá-las para casa. Esse tipo de "crime legalizado" , no entanto, pouco me surpreende, mesmo porque é uma prática comum no Brasil. O que me chama a atenção é outra coisa: o apoio popular. O brasileiro nunca concordou tanto em ser roubado. E está feliz da vida com isso. Uma breve visita a qualquer supermercado de esquina comprova essa tese. Consumidores desfilam pelos corredores feito heróis, com suas rústicas e anti-higiênicas sacolas debaixo do braço. O orgulho por estarem "salvando o planeta" está estampado no rosto de cada um deles. E nem pense em tentar alertá-los de que estão sendo estrategicamente roubados e enganados. Você será visto e tratado feito herege na Inquisição. São inúmeras as provas científicas de que o uso do plástico em nada afeta o bioma terrestre. A mais recente delas veio da Inglaterra. Uma pesquisa encomendada pelo governo daquele país revelou que as sacolinhas plásticas são, no mínimo, 200 vezes menos prejudicais ao ambiente do que as "ecobags" fabricadas de algodão. Isso porque, cada sacola plástica, de acordo com a pesquisa inglesa, contribui com a emissão de 1,57 kg de monóxido de carbono na atmosfera, valor que cai para 1,4 kg se ela for reutilizada ao menos uma vez. No caso das "ecobags", elas precisariam ser reutilizadas, no mínimo, 171 vezes para emitirem uma porcentagem semelhante do gás poluente. Ou seja, se o consumidor não reutilizar sua sacola de algodão quase duzentas vezes (é comprovado que, devido às suas características físico-químicas, esse produto suporta ser reutilizado menos de cem vezes), ele estará emitindo mais monóxido de carbono na atmosfera do que se estivesse usando sacolinhas plásticas. Mas qualquer tentativa de trazer questões como essa à tona será em vão. O brasileiro é pouco dado a números, letras ou a qualquer coisa que o obrigue a pensar além do que os olhos veem ou do que a massa dita. Meu esforço, portanto, é tão inútil quanto o do resto da nação que, não sei se levada pela pretensão ou ignorância extrema, tenta salvar o planeta de um colapso tão ilógico quanto sua consciência ambiental. Eu, no entanto, não sou tão pretensioso a ponto de achar que tenho o poder de salvar - ou destruir - um planeta que, durante os últimos 5 bilhões de anos, enfrentou as mais severas mudanças geológico-climáticas já conhecidas em todo o Sistema Solar. Além do mais, independentemente da ação humana, astrônomos estimam que a Terra continuará a existir pelos próximos 5 bilhões de anos. Até lá, o máximo que o ser humano conseguirá fazer é exterminar a si mesmo, mas jamais a um planeta que, ao contrário do que a maioria pensa, nunca precisou, nem precisa dele para existir. Acreditar, pois, que podemos salvar ou destruir um planeta que já superou cataclismos, centenas de séculos de tempestade de gases letais, vulcões ininterruptamente ativos e maiores que a mais alta montanha conhecida hoje, além do maior impacto de meteoro já registrado na história do Universo é, no mínimo, uma ideia infantil. Ou, então, regressamos definitivamente à época de Ptolomeu, quando qualquer dúvida lançada contra o sistema geocêntrico era motivo suficiente para ser jogado numa reluzente fogueira. Acredito mais na segunda hipótese. Mas sou completamente descrente de que um novo Copérnico está por vir, para revelar a cada um de nós que não somos a última bolacha do pacote, nem o centro de nada. Nem um mero empacotador de supermercado, ainda que quiséssemos ser.



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