Mundo Cristão
publicado em 25/06/2012 às 04h50.
Arca congelada
Projeto britânico recolhe e armazena material genético de espécies animais em extinção

Nos próximos 30 anos, milhares de espécies animais podem desaparecer na Terra. A previsão dos cientistas é de que 1.130 espécies de mamíferos (cerca de um quarto do total) e 1.183 de aves podem ser extintos por vários motivos, como mudanças climáticas ou caça desenfreada. Também estão ameaçados números similares de espécies de anfíbios e peixes, além de vários répteis e um maior ainda de invertebrados.
Na contramão da extinção, entrou em campo o projeto Frozen Ark, ou Arca Congelada, da Universidade de Nottingham, que já começou a conservar amostras de DNA das espécies mais ameaçadas, apoiada por várias entidades como outras instituições de ensino, museus de história natural, laboratórios, aquários, zoológicos e organismos de conservação, entre outros. A iniciativa foi baseada no Banco de Sementes Millennium, projeto internacional que guarda, sob criopreservação (congelamento controlado), sementes de todo o planeta nos Reais Jardins Botânicos de Kew, nos arredores de Londres. Os coordenadores do projeto de preservação animal também citam, como o nome deixa claro, inspiração na Arca de Noé.
Segundo os organizadores, o “arquivo de células” permitirá que importantes pesquisas sejam realizadas antes mesmo do completo desaparecimento das espécies que correm perigo. A prioridade, por enquanto, é das espécies que correm perigo de extinção nos próximos 5 anos e das que atualmente só sobrevivem em cativeiro (como os órix-de-cimitarra da foto abaixo, tipo de antílope do norte da África, o cavalo marinho amarelo e o panda gigante).

A sede do Frozen Ark fica no campus de Nottingham, mas as amostras estão sendo conservadas, por motivos de segurança, em vários pontos do planeta, em equipamentos que mantém a temperatura controlada de 80 graus Celsius negativos. As cápsulas criogênicas guardam células intactas que, ao serem descongeladas, mantêm suas características e possibilitam a clonagem no futuro. São armazenadas amostras de sangue, óvulos, sêmen, pelos e pele.

Em 2001, cientistas norte-americanos mostraram que guardar as células pode ser viável. Implantaram óvulos fecundados de gauro, um bovídeo selvagem indiano com grande risco de extinção, no ventre de uma vaca comum. O filhote de gauro nasceu saudável de sua “mãe de aluguel”. O mesmo processo já é utilizado para seres humanos, pois já há laboratórios que guardam material para fecundação futura.
Algumas entidades de conservação, embora não discordem do congelamento das células, afirmam que o ideal mesmo seria a conservação do hábitat das espécies. Para o Arca Congelada, não se trata de um trabalho no estilo “Parque dos Dinossauros”, história fictícia que ficou famosa pelos livros de Michael Crichton e pelos filmes de Steven Spielberg, em que dinossauros eram recriados a partir de amostras de DNA. É mais uma iniciativa para que a extinção nem chegue a acontecer.

Em entrevista à imprensa internacional, o patrono do Frozen Ark, Sir Crispin Tickell, diplomata, ambientalista e acadêmico da Universidade de Oxford, fez uma declaração: “Acho que Noé teria orgulho desse projeto.”
