Mundo Cristão
publicado em 17/12/2011 às 04h50.
Assepsia e observação clínica já eram praticadas nos tempos bíblicos
Antes mesmo de a cultura em geral aderir à higiene e à quarentena, os israelitas do Antigo Testamento já as seguiam como lei

“Toda a cama, em que se deitar o que tiver fluxo, será imunda; e toda a coisa,
sobre o que se assentar, será imunda.
E qualquer que tocar a sua cama, lavará as suas roupas, e se banhará em água,
e será imundo até à tarde.
E aquele que se assentar sobre aquilo em que se assentou o que tem o fluxo, lavará as suas roupas, e se banhará em água, e será imundo até à tarde.
E aquele que tocar a carne do que tem o fluxo, lavará as suas roupas,
e se banhará em água, e será imundo até à tarde.”
(Levítico 15:4-7)
Nos tempos bíblicos, muitas doenças ainda não tinham cura. E mesmo que tivessem, o temor que se disseminassem fez com que os israelitas, por meio de ordens divinas dadas aos profetas e transmitidas ao povo, obedecessem às regras de higiene e saúde como leis. O trecho de Levítico acima mostra dois desses procedimentos, hoje básicos no concernente aos cuidados médicos: a assepsia e a observação clínica.
Era ordenado que o doente ficasse isolado dos demais, saudáveis, para evitar contágio – base do princípio hoje chamado de quarentena. Os textos bíblicos também diziam respeito aos resíduos que oferecessem perigo biológico (hoje representados pelo símbolo na ilustração principal desta matéria, no alto do texto).
O enfermo era cuidadosamente lavado, assim como seus objetos de uso pessoal e vestimentas. Quem tocasse nele (ou em cadáveres) deveria obedecer aos mesmos procedimentos. Além disso, ficava isolado até a cura ter sido comprovada, quando podia, então, retornar ao convívio social sem o perigo do contágio.
Os “médicos e enfermeiros” da época em que os hebreus rumavam pelo deserto para a Terra Prometida eram sacerdotes e levitas do Tabernáculo. Eram como os agentes de saúde de hoje, que não só cuidavam dos já doentes como ensinavam a todo o povo as medidas de prevenção. Chegava-se a punir quem não as obedecesse e pusesse em risco a saúde da nação. Nas condições itinerantes em que viviam, uma epidemia poderia ser o fim de todos.
Assim como as pessoas enfermas eram limpas, seus pertences eram desinfetados, incluindo-se nesse procedimento os objetos daqueles que morriam. Os que entravam em contato com eles também obedeciam ao isolamento, até que fosse certificado que não apresentavam qualquer sintoma ou adquiriram qualquer tipo de infecção.
A base da quarentena
O doente, mesmo após se sentir melhor, ainda ficava em observação:
“Quando, pois, o que tem o fluxo, estiver limpo do seu fluxo, contar-se-ão sete
dias para a sua purificação, e lavará as suas roupas, e banhará
a sua carne em águas correntes; e será limpo.”
(Levítico 15:13)
Em alguns lugares chegaram a existir os chamados “leprosários”: quem apresentasse doenças sérias visíveis (como a cruel hanseníase) era isolado em comunidades distantes das cidades. E várias dessas doenças eram contagiosas e ainda incuráveis. Na verdade, a palavra “lepra” dizia respeito a qualquer problema de saúde que causasse alteração drástica na pele, e na só a hanseníase. Os “leprosos” eram muito temidos e discriminados.
Saúde é lei
O hábito de lavar as mãos, tomar banho e manter seus pertences limpos tornaram-se comuns entre os israelitas por terem sido impostos como verdadeiras leis, previstas até as punições para quem não as obedecesse. Vistas por muitos como regras cerimoniais, eram, na verdade, medidas sanitárias de grande importância (como as seguidas até hoje no caso da comida kosher dos judeus, em que a qualidade e a higiene são imprescindíveis).
Tais conceitos de saúde já estavam registrados na Palavra Sagrada desde os tempos do Antigo Testamento. Ainda assim, a maioria dos povos ao redor do planeta não os obedecia (ou não obedece até hoje), e alguns nem mesmo tinham alguma ideia sobre eles. Por volta do século 18, algumas dessas regras (e somente algumas) foram instituídas na prática medicinal e no dia a dia de todos. Ainda assim, doenças infectocontagiosas mataram bilhões de pessoas.
Na verdade, os procedimentos básicos de limpeza do ambiente de clínicas e hospitais, além de roupas e utensílios usados neles e do descarte de resíduos e instrumentos, só se tornaram padrão a partir do período pós-Segunda Guerra Mundial. Até então, as condições de assepsia eram sofríveis.
Se a Bíblia fosse vista com respeito e seus preceitos seguidos pelos povos que tiveram contato com ela ao longo dos milênios, muitas grandes epidemias poderiam ter sido evitadas. A negligência à Palavra custou bilhões de vidas e muito sofrimento físico e psicológico ao longo dos séculos.
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1 Comentário(s)
Andréa Portela Postado em:
Esse texto me auxiliou muito, porque neste jejum de Daniel determinei em ler a bíblia toda, começando por Gênesis, e algumas partes, como levítico, é díficil a compreensão sem saber qual o contexto da época, agora leio com mais interesse.
