Mundo Cristão

Ciência na Bíblia - A Septuaginta

Historicamente, a primeira tradução da Bíblia serviu para difundi-la entre boa parte do mundo civilizado a partir da era de Alexandre, O Grande

Por Marcelo Cypriano
marcelo.cypriano@arcauniversal.com

No início, a Bíblia era disponível somente em sua língua original, o hebraico, com algumas variações para o aramaico. Mas a própria história viria a mudar esse quadro. A partir do cativeiro na Babilônia, os judeus passaram a viver longe de Israel e Judá. Conquista após conquista, em tempos do Antigo Testamento, Alexandre, o Grande, estendeu seus domínios de tal forma que o grego tornou-se a língua oficial de cada lugar que era anexado ao seu reino. Para os judeus nascidos no exílio, o hebraico passou a ser uma língua secundária, praticamente de uso doméstico, já que publicamente o grego era a base da comunicação para todos os efeitos.

Por volta do século 3 antes de Cristo (a.C.), a comunidade judaica em Alexandria, no Egito, era muito grande. Usar a Bíblia em uma linguagem que não era tão conhecida de todos diminuía seu poder de divulgação. A preocupação de a língua original desaparecer aos poucos e de a Palavra Sagrada se dissolver no tempo era real.

De acordo com o que se sabe dessa história, 72 sábios judeus foram comissionados a ir de Israel para o Egito para traduzir a Torá, livro sagrado judaico que equivale ao Pentateuco (os primeiros cinco livros da Bíblia) para o grego e, dessa forma, torná-la acessível ao povo. Em vista dos 72 tradutores, o livro tornou-se conhecido como a Septuaginta, palavra por sua vez baseada no latim para designar a ideia das sete dezenas. De início, os 72 eruditos traduziram apenas o Pentateuco. Com o tempo, os outros livros foram sendo traduzidos, num período que compreende cerca de 1 século.

Mesmo quando o império de Alexandre (que foi imenso, mas durou cerca de 10 anos, terminando com a morte do monarca) foi tomado pelos romanos, o grego koiné por muito tempo foi a língua internacional dos territórios outrora alexandrinos. O koiné (acima, num fragmento antigo da Septuagunta) era uma versão mais simples, bem mais popular, diferindo um pouco do idioma original.

A tradução para o grego possibilitou, inclusive, que a Bíblia pudesse entrar nos lares não judeus, daí começando sua maior divulgação sobre a Lei e sobre Deus. Mesmo os gentios que não se convertiam ao judaísmo tinham em alta conta os costumes judaicos, o respeito ao Deus Único e às leis de Moisés.

Abrindo caminho

A Septuaginta foi usada até mesmo por personagens bíblicos da mais alta importância. Ela era citada pelo próprio Jesus, quando ditava a Palavra. Foi ela, também, que Felipe apresentou ao eunuco etíope enquanto viajavam (ilustração ao lado), fazendo com que o estrangeiro se convertesse. O apóstolo Paulo usava seus textos em seu evangelismo. Como essas, muitas outras citações do Antigo Testamento no Novo se basearam na Septuaginta.

Incontestavelmente, a Septuaginta serviu de base para a divulgação da Boa Nova ainda no primeiro século após Cristo. Isso fica bem claro em escritos neotestamentários, sobretudo passagens das viagens paulinas:

 

“Testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.” - Atos 20.21

“Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.” - 1 Coríntios 1.24

“Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.” - 1 Coríntios 12.13

 

Mais traduções mundo afora

A conversão para o grego permitiu que a Palavra se espalhasse não só para os adeptos do koiné em tempos alexandrinos e posteriores. A partir do grego e mais divulgada, várias outras nações tiveram acesso à Septuaginta e puderam traduzi-la para suas línguas. Por isso mesmo, estudá-la ainda é muito importante a estudiosos da Bíblia.

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