Mundo Cristão

Ciência na Bíblia - Chuva temporã e serôdia

A precipitação das águas fora da temporada normal garantia melhores resultados aos agricultores, com um forte simbolismo em relação à vida espiritual

Por Marcelo Cypriano / Imagens:Thinkstock

“E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no SENHOR vosso Deus,
porque ele vos dará em justa medida a chuva temporã;
fará descer a chuva no primeiro mês, a temporã e a serôdia.”

Joel 2:23


Usada em canções de louvor e na Palavra, a expressão “chuva serôdia” muitas vezes escapa à compreensão. Esse termo é frequentemente usado na Bíblia junto com outro, “chuva temporã”, em alusão tanto à precipitação pluviométrica propriamente dita quanto simbolicamente, referindo-se ao derramamento das bênçãos de Deus e do Espírito Santo sobre nós.

Em qualquer ponto do planeta, as chuvas são determinantes para a agricultura. Havendo excesso ou falta, safras são ameaçadas – em algumas localidades, bons métodos de irrigação garantem a rega necessária. Nos tempos bíblicos, não era diferente. Além das chuvas em sua temporada normal do ano, havia duas precipitações muito bem recebidas pelos homens do plantio.

As chuvas temporãs (fora de época, como o próprio nome mostra) ocorriam antes da temporada chuvosa normal. Elas preparavam o solo para a semeadura, deixando-o úmido e mais fofo, bem apropriado ao manuseio.

Em analogia ao aspecto espiritual, a chuva temporã simboliza o primeiro derramamento do Espírito Santo, que preparou o mundo para a semeadura do Evangelho. Também representa a época em que alguém aceita a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador – prepara nosso espírito para que brote em nossa vida a semente da verdade. Só que esta semente precisa ser cuidada, cultivada diariamente.

A chuva serôdia acontecia tardiamente, como evidencia o termo. Vinha depois da estação chuvosa normal, de forma mais suave, porém abundante. Preparava a cultura para a colheita, pois sua suavidade possibilitava um solo perfeitamente hidratado, abastecendo as plantas, fazendo com que seus frutos, folhas e grãos ganhassem ainda mais volume, amadurecessem, e fossem colhidos com mais qualidade e fartura.

Espiritualmente, representa o derramamento final do Espírito, ainda por vir, como citado em Apocalipse. “Amadurecerá” o povo cristão para a “colheita” que o Senhor fará na Terra.

Na época dos acontecimentos narrados na Bíblia, as chuvas temporã e serôdia eram vistas pelos lavradores como bênçãos, nos anos em que elas não ocorriam, a fartura e a qualidade do plantio não eram as mesmas. Os grãos eram mais mirrados, as frutas e legumes também, os pastos ofereciam menos alimento ao gado, que perdia peso.

Na vida espiritual, a simbologia é bastante apropriada. A pessoa recebe o Pai, o Filho e o Espírito em abundância, para com isso começar seu caminho. Em seguida, vem o que seria a temporada normal das chuvas: o dia a dia do cristão, abastecido diariamente pela força e pelas bênçãos de Deus, quando se submete à Sua vontade e vive um cotidiano de verdadeiro servo (cultiva). Em relação ao futuro, tem certeza, com sua fé, do derramamento final que o preparará para a vida definitiva revelada no último livro das Escrituras.

 

“Sede pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas.”

Tiago 5:7

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