Mundo Cristão
publicado em 03/09/2012 às 04h50.
Ciência na Bíblia - O carbono-14
A datação de objetos encontrados por arqueólogos, paleontólogos e outros cientistas é feita com base na radiação do isótopo, o que ajuda na comprovação de autenticidade

Recentemente, como mostramos aqui no Arca Universal, arqueólogos alegaram ter encontrado o provável túmulo de João Batista na Bulgária. Testes com o carbono-14 na Universidade de Oxford, Inglaterra, comprovaram que os ossos encontrados são mesmo de alguém que morreu no século 1.
Outro famoso caso foi sobre o misterioso Sudário de Turim. Muitos sempre debateram, ao longo dos séculos, se o objeto era mesmo o grande lençol de linho que envolveu o corpo de Jesus quando foi sepultado, cujo sangue teria “desenhado” o formato do corpo no tecido. Em 1988, novamente o carbono-14 entrou em cena. Testes feitos em três laboratórios distintos concluíram que o algodão do pano datava de algo entre 1260 e 1390. Seria, portanto, falso.
Mas como é feita a datação pelo carbono-14? Do que se trata, exatamente?
O carbono-14 (também chamado de radiocarbono), um dos isótopos que formam o elemento que lhe dá nome – e, portanto, presente em tudo que é orgânico –, é levemente radioativo. Embora essa quantidade de radiação seja ínfima, é facilmente detectada e medida. Ela vai diminuindo com o tempo, e se dividirá pela metade a cada 5.730 anos.
Medindo-se a perda de radiação, pode-se chegar bem próximo da época em que o tecido morreu – ossos, couro, madeira, folhas, sementes, óleos, algas, conchas, tecidos à base de algodão e outras fibras orgânicas, etc.
O carbono-14 está presente na atmosfera, nos mares e nas plantas, por exemplo, renovando-se sempre. Os raios cósmicos (radioativos) que conseguem ultrapassar as barreiras da atmosfera colidem com os núcleos dos átomos dos gases que formam o ar, formando o carbono-14, que se oxida e passa a circular pelo planeta.
No caso das plantas, elas absorvem o carbono-14 por meio da fotossíntese. Convertem-no em outros compostos orgânicos que se incorporam aos tecidos vivos. À medida que a planta cresce, também aumenta a quantidade do carbono radioativo, até que ele chegue a uma taxa equilibrada com a da atmosfera.
Assim que a planta morre, não há mais a incorporação do carbono-14 aos tecidos. Aí é que começa a “contagem regressiva” da radiação no tecido, como se fosse um “cronômetro natural” regressivo. Medindo a radioatividade do carbono-14 do material em questão, dá para saber quando a planta morreu e parou de absorvê-lo.
As plantas são incorporadas aos animais herbívoros, que por sua vez são comidos pelos carnívoros, e cada estágio da cadeia alimentar vai recebendo, também, o carbono 14 da anterior, que é assimilado pelo organismos. Como eles também param de adquirir o carbono-14 ao morrer, é possível determinar a época da morte pela medição da radiação do isótopo.
Quando o objeto em questão é encontrado, normalmente há uma verificação sobre alguma causa externa de contaminação radioativa. Somente a radiação do carbono-14 do material é considerada.
A descoberta
A técnica da datação do carbono-14 foi desenvolvida pelo cientista Willard Frank Libby (1908-1980), dos Estados Unidos, em 1947. Com versões bem sensíveis do aparelho medidor de radiação conhecido como contador Geiger (como o da foto abaixo), conseguiu facilmente medir a taxa da radiação nos tecidos outrora vivos, sendo de grata ajuda a arqueólogos, paleontólogos, geólogos e outros cientistas que precisam datar seus achados. Libby recebeu pela descoberta o Prêmio Nobel de Química de 1960.

Hoje, há outras técnicas para medição do carbono-14 bem mais exatas que os contadores Geiger, como a espectroscopia de ressonância paramagnética eletrônica (feita no aparelho conhecido como acelerador de espectrometria de massa, como o da foto abaixo), do e a luminescência estimulada opticamente.

Artefatos bíblicos
Os cientistas que estudaram o Sudário de Turim (ou Santo Sudário, na foto abaixo) não quiseram bater de frente com quem o julga genuíno – alguns, inclusive, defendem que a peça foi constantemente restaurada ao longo dos séculos, e pedaços mais novos podem ter sido analisados. Em todo caso, vale lembrar que a análise foi feita em três frentes diferentes em 1988, nas universidades de Zurique (Suíça), Oxford (Inglaterra) e do Arizona (Estados Unidos).

Outro caso em que a técnica do radiocarbono foi essencial na comprovação de artefatos ligados à Bíblia se deu em relação aos Manuscritos do Mar Morto. O conjunto de pergaminhos contendo todos os livros do Antigo Testamento hebraico (exceto o livro de Ester), mesmo após terem sua autenticidade comprovada, foram submetidos à datação do carbono-14. Foi comprovado que os documentos têm cerca de 2 mil anos.
