Mundo Cristão
publicado em 19/03/2012 às 04h50.
Ciência na Bíblia - O ciclo da água
Em seu primeiro livro, a Bíblia já mostrava as diversas formas da presença hídrica na natureza
“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas.
E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.
E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.
E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar;
e apareça a porção seca; e assim foi.
E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares;
e viu Deus que era bom.”
Gênesis 1:6-10
Veja também:
O trecho de Gênesis citado evidencia as várias formas como a água se apresenta na natureza, em seus estados sólido, líquido e gasoso. Há uma constante troca, que da crosta terrestre (nos mares, lagos, lagoas e rios), evapora-se, forma nuvens, precipita-se (chuva, granizo e neve) e volta ao solo, inclusive penetrando nele e, guiada pela gravidade, vai para os lençóis sob a terra, geralmente indo para os rios e para o mar. Além disso, sugada pelas raízes das plantas, também evapora de suas folhas e volta à atmosfera. E tudo recomeça.
A maior parte do vapor (a água em seu estado gasoso) sobre o mar retorna aos oceanos em forma de chuva, que também é transportada para a terra pelos ventos. Nevoeiros (neblina) também são água em suspensão, assim como o orvalho é produzido por sua condensação na superfície e em tudo nela (como podemos perceber pela manhã sobre a vegetação, ou mesmo em cima dos veículos que ficaram fora de suas garagens, molhados mesmo sem chuva).
Sólida, líquida e gasosa
A água é a única substância que existe, em condições naturais, nos três estados da matéria. Alternando esses estados, ela passa do globo terrestre para a atmosfera, e volta a ele, em um resumo do que consiste o ciclo hidrológico (quadro abaixo).

Pela evaporação e transpiração (esta, de seres vivos aeróbios, os que “respiram com ar”), a água em estado gasoso vai para a atmosfera. Quando o vapor atinge certo nível, se condensa, formando as nuvens – tornando-se mais visível –, que permanecem suspensas na atmosfera. Quando essas gotículas suspensas se juntam e esfriam, precipitam-se, formando a chuva. Ela pode penetrar na terra e formar um aquífero (ou lençol freático, que geralmente abastece os poços), ou escoa pela superfície, dirigindo-se a um rio, um lago, uma lagoa ou ao mar. Daí a luz solar incide sobre essa água da superfície terrestre, esquenta-a, ela se evapora e tudo recomeça, continuamente.
Começando pelos rios, eles podem ter seu início em nascentes, lugares em que a água brota da terra em seu escoamento, ou mesmo pelo degelo periódico das montanhas. Esses mesmos rios abastecem inúmeras cidades (que via de regra os poluem, contraditoriamente) e alimentam a irrigação agrícola, além de servirem para o transporte de pessoas e cargas. Muitos rios tornam a vida possível em suas margens, e vários grupos humanos começaram nelas. Navegadores antigos penetravam por eles a partir do mar para o interior, fundando várias localidades. A erosão dos rios molda o ambiente, criando deltas e vales.

A vegetação tem papéis muito importantes. Parte da água no solo é absorvida pelas raízes, consequentemente se evaporando ou voltando ao ar pela transpiração. Por esse motivo, a maioria das formações florestais do planeta forma um clima úmido à sua volta, equilibrando-a. pelo mesmo motivo, cidades sem áreas verdes e desertos sofrem com a secura.
Desperdício e poluição
O volume de água sempre foi o mesmo. Sua distribuição por estados físicos varia ao longo do tempo. Os oceanos têm 96,4% da água do planeta, cobrindo três quartos dele. Dos 3,6% que restam, cerca de 2,25% estão em forma sólida nas calotas polares e geleiras. Só 0,75% de toda a água da Terra está em rios, lagos, lagoas, nos lençóis subterrâneos e em forma de vapor na atmosfera. E é desse pouquinho que tiramos para beber e outros usos (incluindo o desperdício e a poluição, que tem chamado cada vez mais a atenção nestes tempos em que tanto se fala de sustentabilidade). Na verdade, a que utilizamos para beber é menos de 0,01% da água do planeta.
Ainda pensa que aquela torneira vazando em sua casa ou empresa não significa nada demais? Pensa que jogar lixo em um rio ou despejar neles os dejetos do esgoto e das indústrias não causa mal nenhum? A quantidade de água sempre foi igual, mas a população mundial aumenta cada vez mais rápido, gerando maior consumo.
Chuva ácida
A molécula da água é formada por dois átomos de hidrogênio (H) e um de oxigênio (O), representada pela famosa fórmula H2O. Em seu estado gasoso, pode reagir com gases provenientes da poluição atmosférica, como o dióxido de enxofre (SO2), dióxido de carbono (CO2) e óxidos de nitrogênio (NO, NO2, N2O5), formando um composto que se precipita em forma da famosa chuva ácida. Ela causa a deterioração de materiais como construções e veículos, além de aumentar a acidez do solo e prejudicar a vegetação (natural ou de lavouras), que morre aos poucos. Além disso, as gotas da chuva, mesmo que não seja ácida, capturam microorganismos (como bactérias) em suspensão no ar, não sendo própria para beber sem tratamento, como muitos acham.
A mesma desde Gênesis
Como pudemos notar, a água do planeta nunca aumentou ou diminuiu de volume. A quantidade é a mesma desde a criação, seguindo seu ciclo. A mesma água que está dentro do organismo do internauta que agora lê esta matéria já esteve dentro de bilhões de outras pessoas e outros seres vivos desde que Deus criou o mundo, ou já fez parte de oceanos e rios os mais longínquos, ou ainda pode ter estado no topo das mais altas montanhas em forma de gelo e neve. Um ótimo exemplo da famosa máxima do químico francês Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794): “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Tal como Deus a fez em Sua sabedoria, agora e sempre.
