Mundo Cristão

Ciência na Bíblia - Os sete dias

A origem da semana como a conhecemos é comprovada pelas Escrituras e pela natureza

Da Redação / Imagens: Wikimedia, Thinkstock
redacao@arcauniversal.com

Quem nunca foi abordado por uma criança que perguntou “por que a semana tem sete dias”? Ou mesmo por um adulto?

Aliás: você sabe?

Logo pensamos em Gênesis, em que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo.

Quase todas as sociedades ao redor do planeta adotaram a semana tal como a conhecemos. Contudo, algumas a tinham com mais ou menos dias. Onde isso tudo começou?

Partindo do básico, sabemos que um dia, com suas 24 horas, é o tempo necessário para a Terra dar uma volta completa em seu eixo. E que um ano é o quanto ela leva para dar a volta em órbita do Sol.

Os povos da antiguidade, não presos à tecnologia como hoje somos, observavam mais os céus. Dependiam da claridade do sol para seus afazeres. Tinham que contar o tempo para programar suas colheitas, entender acontecimentos como uma estação do ano ou a gestação de um ser humano ou em seu rebanho.

A lua era um importante “relógio” da época, ou mesmo um calendário natural: uma fase completa do nosso satélite leva sete dias. Quem nunca leu, em histórias clássicas de povos primitivos, que determinado acontecimento durou “tantas luas”? Essa divisão de tempo era usada por muitas sociedades primitivas, até mesmo antes de a Bíblia ser escrita.

Ao que parece, os babilônios, assíduos observadores do céu, já usavam a divisão de sete em sete dias. Na Roma Antiga, surgiu a denominação de “septmana” (sete manhãs).

Mas, e os nomes dos dias?

Os antigos observadores dos céus atentavam para algo que nós, em nossa “pós-modernidade”, deixamos passar. Os grandes astros visíveis a olho nu são sete: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Vênus, Júpiter e Saturno, seguindo a ordem aristotélica da velocidade dos corpos celestes na abóbada, e a posição em escala temporal em que eram mais visíveis. Pegaram essa posição em um dia e reproduziram na semana. Os nomes dos dias seguiram também essa ordem de planetas, que receberam seus nomes em honra aos deuses que os romanos (e outros povos) veneravam. Em inglês isso é mais visível – o saxão "Saterne’s Day" (dia de Saturno) gerou o inglês “Saturday”, por exemplo. No espanhol, também: “Miercoles” (quarta-feira) vem do latim “Mercurie dies” (dia de Mercúrio).

Como os judeus não se curvavam àqueles deuses (ou não deveriam, já que alguns apelavam à idolatria), nomearam os dias de um jeito diferente – que vem diretamente ao encontro de como os chamamos em português. A Páscoa primitiva durava sete dias. Era uma festa grande, em que as pessoas precisavam viajar, hospedar seus parentes, orar, e tudo isso precisava de uma folga de tempo para que pudessem se dedicar exclusivamente ao acontecimento. Precisavam, então, destacar esses sete dos dias normais do ano, de trabalho e estudo, com a folga necessária à festa, e criaram os “feriaes” (feriados).

Como os hebreus começavam sua semana após o dia de descanso que hoje chamamos sábado (o shabbat), conforme Gênesis. O dia inicial era o nosso atual domingo, que era a “primeira-feria” (primeiro feriado), seguido pela “segunda-feria” (segundo feriado), e daí em diante.

Quando pensamos na relação dos nomes “sábado” e “shabbat” fica fácil. Mas, e o domingo? O imperador Flávio Constantino (280-337 depois de Cristo) converteu-se ao cristianismo, tornando-o a religião oficial. Como o primeiro dia da semana se chamava “Dies solis” no latim (dia do Sol), Constantino o converteu em “Dominica” (dia do Senhor). O nosso bom e querido Domingo.

De volta aos sete

Se para nós o ciclo de sete dias é bem natural, não é assim para todos os povos. E isso já foi mais forte. Na África, Oceania e Extremo Oriente, a semana de sete dias é uma convenção recente, se compararmos com a maior parte do resto do planeta. Na China, por exemplo, era bem comum até o século 19 (não faz tanto tempo assim) um ciclo de 10 dias, derivados dos cinco elementos da tradição daquele povo, em suas versões polarizadas (yin e yang), cinco para cada lado. Na África, era como se cada povo usasse a semana como quisesse: havia as de quatro dias, as de seis e por aí afora.

A Revolução Francesa (de 1789, ilustrada abaixo) foi bem mais do que a derrubada de um regime totalitário. Com o poder na mão, os sábios do povo estipularam até mesmo novas medidas, visivelmente para contrariar as normas até então vigentes por obrigação. O sistema métrico e a pesagem por quilogramas, por exemplo (que nós adotamos no Brasil). Até aí, tudo bem. Pegou. Como adotaram para tudo isso o sistema decimal como base, resolveram também acabar com a semana de sete dias por uma de 10 (e cada dia tinha 10 horas, cada hora tinha 100 minutos, tudo em inspiração decimal).

Quem disse que pegou? Converter medidas é uma coisa, bagunçar as relações com outros povos quanto às datas é outra. Até a semana dos islâmicos tem sete dias – e a dos judeus, mesmo com meses e anos diferentes. Hoje, mesmo que ainda algumas culturas usem uma contagem diferente de tempo (como os já citados judeus e chineses, cujos anos não batem com os nossos de antes e depois de Cristo), eles trabalham levando bastante em conta o calendário gregoriano, que é o que seguimos. Mas isso de contagem de anos é assunto para outra matéria. Voltemos aos nossos dias da semana.

Gênesis

As várias tentativas de semanas mais “racionais”, que até podem ter sido feitas com boas intenções – como no caso dos nossos amigos que derrubaram a Bastilha –, foram mal sucedidas.

A simplicidade de Gênesis mostra muito da sabedoria de Deus. Uma semana de sete dias (olha a redundância!) é o ritmo da própria natureza.

Está aí a Lua, que não nos deixa mentir.

COMPARTILHAR

1 Comentário(s)

GUILHERME SILVA MARQUES DO OLIVEIRA Postado em:

oi achei muito enteressante a gostaria de saber mais

  Deixe um comentário