Mundo Cristão

Ciência na Bíblia - Roupas de lã no deserto?

Embora pareça o contrário, as roupas grossas usadas pelos povos bíblicos das regiões áridas também tinham a função de protegê-los do calor

Por Marcelo Cypriano
marcelo.cypriano@arcauniversal.com

Aqui no Hemisfério Sul, em um clima úmido e bem quente, tendemos a usar roupas leves para aliviar o calor. Como podemos ver na minissérie “Rei Davi” (foto acima) e outras histórias bíblicas realizadas pela Rede Record, cujo pessoal da produção realizou uma intensa pesquisa sobre os costumes da época, era comum o uso de grossas roupas de lã, embora a história se passe em regiões desérticas. Uma vestimenta de tecido pesado não aumentaria a sensação de calor?

Não. Acontece que a lã é um ótimo isolante térmico. Da mesma forma que mantém o calor do corpo em um dia frio, dificultando que ele seja liberado, também dificulta a passagem do calor externo do deserto para dentro das roupas, mantendo a temperatura corporal a níveis aceitáveis.

No deserto, área de intenso calor de dia (por volta de 50 a 70 graus Celsius às vezes) e frio abaixo de zero à noite, a lã se revela um tecido bem versátil. Usar a mesma roupa de dia e à noite também facilita muito pelo fato de os povos das regiões áridas, tanto nos tempos bíblicos quanto hoje, não terem facilidade para mudar de roupa a todo momento, pela impossibilidade de carregar grandes quantidades de peças para troca (como no caso do andarilho de João Vitti em “Sansão e Dalila”, da Record, na foto abaixo).

Amplitude térmica

Qual a causa de tão grande variação de temperatura entre o dia e a noite no deserto?

Durante o dia, obviamente, a irradiação de luz solar é muito grande em um lugar sem árvores e com baixíssima umidade (ela ajuda a regular a temperatura a níveis aceitáveis, retendo calor). A areia recebe a insolação sem obstáculos, e esquenta rapidamente. Com componentes como a sílica ela conduz bem o calor, mas não o conserva muito bem. É quente enquanto recebe o sol. Assim que ele se põe, ela perde rapidamente o calor que recebeu durante a claridade, e a temperatura baixa drasticamente, podendo, em alguns desertos, facilmente ser medida em graus negativos. O vidro, material feito da sílica da areia, mostra bem essa propriedade. Ao enchermos um copo com um líquido bem quente, fica quase impossível pegá-lo sem a ajuda de luvas ou um pano, pois o vidro dele recebe rapidamente o calor do conteúdo. Quando o esvaziamos, o copo esfria rapidamente – ao contrário de um recipiente de metal, como uma panela, que mesmo vazia de seu conteúdo quente demora um pouco a esfriar.

Tendas

A lã usada no deserto pode ser proveniente de ovelhas (a mais comum em todo o mundo) ou de camelos – com a qual também são feitos duráveis e confortáveis agasalhos urbanos modernos  que fazem sucesso entre os adeptos da moda mais exigentes –, além de calçados, chapéus e cobertores. Os pelos de alguns caprinos mais felpudos, trançados, também funcionam, mais usados para as tendas dos povos nômades. Longe dos desertos da Bíblia, nas regiões montanhosas sul-americanas, as lãs das alpacas e lhamas servem às populações.

Ventilação e sombra

As roupas bíblicas, bem como as dos povos do deserto de hoje, eram largas e compridas. Largas para permitir que o ar circule, ventilando o corpo, e compridas para protegê-lo da insolação. O vistoso turbante também tem uma função que vai além da decorativa: protege o rosto e a cabeça da mesma insolação, que pode até matar se incidir diretamente sobre o couro cabeludo. Outra: parte dele sempre pode ser desenrolada para proteger o rosto nas tempestades de areia, cujos ventos podem chegar a 100 quilômetros por hora, lançando os grãos como incontáveis pequenos projéteis cortantes e perfurantes.

Cores

É normal, ainda hoje, que lã escura seja usada na roupa interna e tecidos claros na externa. Mas também vemos beduínos com roupas pretas. Qual o motivo?

Quanto mais escuro um objeto, mais ele absorve luz, gerando calor (por isso roupas escuras no verão não são tão desejadas, a não ser que a pessoa faça questão delas – mas isso é aqui, em nossa realidade tropical). A roupa clara reflete mais a luz que recebe, sendo mais fresca. Daí aquele estereótipo dos “sheiks” árabes com suas longas vestes brancas (cor que também denota nobreza, em sua cultura).

Ainda assim, é bem mais comum vermos beduínos com roupas bem escuras (inclusive com tecidos mais modernos, só que em preto, marrom, verde musgo ou azul marinho). A lã escura recebe bastante radiação solar e “segura” um pouco do calor, “emprestando-o” ao corpo à noite, lentamente, quando a temperatura ambiente cai. Funciona mais ou menos como um ar-condicionado portátil durante o dia, que vira um aquecedor à noite.

 

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2 Comentário(s)

Penelope Mosqueiro Postado em:

Gostei muito desse artigo parabens :) muito bom ,interessante .

ELIZETE Postado em:

GOSTO MUITO DE LER AS HISTORIA QUE SÃO PUBLICADA, PRINCIPALMETE AS QUE FAZEM PARTE DOS MILAGRES DE JESUS OU DAS PASSAGENS BIBLICA

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