Mundo Cristão
publicado em 30/09/2012 às 04h50.
Costumes da Bíblia - As superpotências
De um pequeno ponto no mapa, Deus espalhou a Palavra pelo mundo

A maioria das histórias da Bíblia teve como cenário a área que Israel ocupa na atualidade. Pode, à primeira vista, parecer um território bastante pequeno no quadro internacional, mas ganha muita importância se analisarmos a estratégia de Deus em sua escolha.
Embora pequeno, Israel ocupava uma área estratégica em relação àquelas que poderíamos chamar de “as superpotências do mundo antigo”. O Senhor revelou Sua soberania sobre os hebreus, que se estabeleceram poderosamente naquela estreita faixa de terra na costa leste do Mediterrâneo, e de lá irradiou Sua glória aos reinos vizinhos, que por sua vez continuaram a divulgar a Palavra por seus domínios mundo afora. Todos foram influenciados: parceiros comerciais, migrantes e até mesmo invasores e conquistadores – lembre-se de como Daniel foi um importante divulgador do poder de Deus enquanto seu povo era escravo na Babilônia e como o próprio Império Romano se curvou ao cristianismo que tão ferozmente combateu.
Desse modo, o pequeno Israel foi o ponto central para que Deus se revelasse a todo o Oriente Médio, a partir dele, aos principais povos que vieram a influenciar a cultura de todo o planeta.
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Regiões e seus povos
O Império Heteu, por exemplo, situava-se na atual Turquia, num território que se estendia em direção à Síria e ao norte da Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates. No início da época civilizada do Antigo Testamento, os heteus dominaram Canaã frequentemente. Embora ferozes guerreiros natos, chamavam atenção pelo alto nível de desenvolvimento, que envolvia as artes, a arquitetura e as leis. Foram os primeiros a dominar a ciência da refinação do minério de ferro, por exemplo, que impulsionou várias culturas. Foi deles que Abraão comprou as terras em que ele e sua família foram sepultados (Gênesis 25:10).

O Egito (foto acima) abrigou uma das mais antigas civilizações da Terra. Fundado há mais de 5 mil anos às margens do rio Nilo, era uma das grandes potências políticas e financeiras do planeta. Por causa do famoso rio que o mantém até hoje, raramente passou por períodos de escassez – muito por causa de boas administrações. Em algumas ocasiões, o próprio povo de Deus lá morou, em momentos de crise. Os egípcios entraram em contenda muitas vezes com os hebreus por causa de terras e das rotas comerciais, chegando a escravizá-los (como mostra o livro de Êxodo). Moisés, antes de levar seu povo à Terra Prometida, foi usado para mostrar o poder de Deus a seus captores diversas vezes, até conseguirem a tão almejada liberdade.

Os sumérios habitaram o sul da Mesopotâmia por mais de 3 milênios. Habitavam suas várias cidades-estados, que guerreavam entre si continuamente pelas fontes de água. Uma dessas cidades – e uma das mais poderosas – era Ur, origem de Abraão, que de lá saiu em vida nômade por ordem de Deus. Aquele povo desenvolveu atividades como a agricultura, o comércio, a matemática, a arte, a arquitetura, a astronomia e até a escrita, em sua origem cuneiforme (símbolos gravados em argila por objetos em forma de cunha). É bastante curioso saber que um dos primeiros difusores do Deus Todo Poderoso foi separado por Ele de um grande povo politeísta, escolhido para mostrar a todos o verdadeiro Senhor. E, por meio de Abraão, o Pai cuidou de povoar toda a Terra, por meio de seus muitos descendentes.
O Crescente Fértil era uma grande região que se estendia desde o Nilo até a Mesopotâmia, passando pela costa do Mediterrâneo, constantemente cobiçada por vários povos.
A Mesopotâmia foi berço e lar de várias culturas importantíssimas para as épocas do Antigo e do Novo Testamentos: sumérios, caldeus, assírios (autores do alto-relevo na foto abaixo), babilônicos, persas e arameus – de quem surgiu o aramaico, idioma que se tornou a “língua internacional" da época, falado por Cristo.

O Mar Mediterrâneo era, como é até hoje, uma importante ligação entre países e continentes. Por ele, invasores e migrantes passaram difundindo a crença em Deus – como Paulo, que empreendeu por ele várias viagens até o fim de seu ministério. Por ele, a Palavra chegou à Europa, por exemplo, e foi levada por seus colonizadores ao Novo Mundo (Américas e Oceania) ao longo dos séculos.
Todos esses lugares e povos foram muito importantes, mas não podemos nos esquecer dos Impérios Grego e Romano, que dominaram vários deles. Líderes e súditos de Roma e da Grécia tiveram contato com a Palavra, e não saíram incólumes a ela, contribuindo mais do que significativamente por sua difusão pelo mundo antigo, com reflexos pelas outras eras.
De um pequeno ponto, o mundo inteiro
A partir dessas nações de início politeístas, Deus chamou um único homem (Abraão), que abriu caminho para muitos lugares e povos, já existentes ou originados justamente de suas viagens. Podemos dizer, dessa forma, que a história da Bíblia começou (excetuando-se a própria Criação do Universo e dos seres viventes, claro) com os primeiros passos de Abraão, dali ganhando o mundo direta e indiretamente.

Olhando desse modo, Israel já não parece tão pequeno quanto pode parecer no mapa. Foi o ponto estratégico de onde partiu o conhecimento sobre o Senhor Soberano de todas as coisas, para que todas as nações do mundo O conheçam.
