Mundo Cristão
publicado em 23/09/2012 às 04h50.
Costumes da Bíblia - As alianças
Deus sempre se relacionou com o homem querendo dele uma atitude consciente de entrega

Várias vezes, a Bíblia usa a palavra aliança para retratar o relacionamento de Deus com Seu povo. Mais que um acordo, aliança, nos termos das Escrituras, designa compromisso. E tanto em um quanto em outro, mostra que há dois ou mais lados envolvidos, todos com obrigações.
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Deus sempre se relacionou com o homem, segundo a Palavra, por meio de alianças. Assim foi já com o primeiro deles, Adão. O Senhor lhe deu meios de sustento, o próprio Éden. Por sua vez, Adão devia obedecer a Deus, tinha que zelar pela terra.
Enquanto cresse e obedecesse, o homem teria a proteção divina e a provisão, mas isso devia partir de uma atitude consciente. A desobediência consistia, basicamente, no pecado. Adão desobedeceu, pecou, e o pecado o afastou de Deus. O pai de Abel, Caim e Sete não cumpriu sua parte na aliança, e o acordo se desfez.
O ser humano continuou a insistir no pecado ao longo do tempo. Deus tomou uma decisão drástica: acabaria com tudo e quase todos. “Quase” mesmo, pois escolheu um descendente de Sete – Noé – e sua família para sobreviver ao cataclismo do Grande Dilúvio. Mas, para que Noé vivesse, teria que obedecer ao Pai, mesmo quando todos o ridicularizavam, construindo a grande arca.
Noé cumpriu sua parte. Deus cumpriu a outra. Quando as águas baixaram, o patriarca celebrou o feito em um sacrifício num altar. Deus lhe prometeu que não mais faria o mundo acabar em águas, marcando a aliança com o arco-íris.
Abraão, descendente de Sem, filho de Noé, teve uma linhagem “incontável como as estrelas” por ter cumprido sua parte na aliança feita com Deus: saiu de sua parentela, em vida nômade, desbravando e povoando a Terra, abençoado ao longo da grande viagem.
Em Êxodo, vemos Deus fazendo uma aliança com toda uma nação (embora o tenha feito indiretamente nos casos anteriores, de Adão, Noé e Abraão) de uma vez. Constituiu os hebreus um povo de sacerdotes, uma nação santa:
“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha.
E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.”
Êxodo 19:5-6
O Senhor prometeu proteger e abençoar os hebreus, que prometeram obedecê-Lo e servi-Lo. Deus lhes entregou, então, por meio de Moisés, suas leis. Resumidas em dez mandamentos, permitiam que o povo vivesse por meio delas, como relatado em Êxodo, Levítico e Deuteronômio. E as palavras lavradas nas tábuas de pedra diziam respeito a todos os aspectos da vida: espiritualidade, sociedade, moral e muito mais.
Os dez mandamentos podem ser vistos, grosso modo, como uma reles lista de proibições e determinações. Em uma análise mais inteligente, a verdade é bem mais interessante: a palavra hebraica “torá”, lei, não quer dizer somente uma imposição. Significa orientação, direção, instrução. Não era só um cabresto para manter a população no prumo, mas uma espécie de guia bastante prático para uma vida com qualidade. Novamente, Deus estabeleceu regras que pediam um cumprimento consciente, uma questão de atitude, e não uma postura passiva, programada.

As tábuas foram guardadas na Arca da Aliança, que não recebeu esse nome à toa, pois simbolizava o ser humano “guardando” os mandamentos de Deus, seu compromisso com Ele.
Nesses quatro casos citados, e em vários outros, uma aliança com Deus sempre pediu um compromisso ativo, consciente. Sempre é uma atitude de quem escolheu ter para com Ele uma entrega verdadeira, com consequências reais.
Seja com Deus, seja com outros seres humanos, cabe ao homem cumprir sua parte em suas alianças. O Senhor sempre cumpriu suas promessas, mas nem sempre o homem fez o mesmo. Quando o acordo é quebrado, a harmonia, o contato, perdem sua razão de existir.
No entanto, o amor de Deus é tanto, que Sua misericórdia é real, e permite ao homem procurar novamente o Pai. Sempre.
E a aliança se refaz.
