Mundo Cristão

Costumes da Bíblia - As viagens por terra

Percorrer longas distâncias pelo deserto nos tempos bíblicos era algo feito somente em caso de extrema necessidade, pela grande dificuldade

Da Redação / Imagens: Thinkstock, The Story of the Bible
redacao@arcauniversal.com

Nos tempos bíblicos, uma viagem por terra era algo bastante difícil de realizar. Por isso mesmo, só era feita quando não havia outro jeito – de outro modo, era sempre melhor ficar em casa mesmo.

Não se viajava por prazer, como hoje é bem comum. Num tempo sem as facilidades oferecidas por aviões, trens e ônibus, pegar o deserto – a viagem básica numa área, em sua maioria, árida, como eram os cenários da Bíblia –, ir de uma cidade a outra ou de um reino a outro só era feito por motivos políticos, negócios ou outra necessidade extrema.

Quem viajava a negócios, muitas vezes portando riquezas e mercadorias, era devidamente protegido. Muitas vezes, os ricos mercadores nem iam, mas mandavam representantes nas caravanas. Havia até o caso de um excedente de mercadoria ser mandado para compensar perdas eventuais.

Os perigos eram de muitos tipos: da natureza (tempestades, secas) e do homem. O deserto nunca foi uma área segura e pacífica. Era coalhado de salteadores, ladrões e, não poucas vezes, assassinos cruéis, que não pensavam duas vezes em matar para se apoderar dos bens dos viajantes ou em violar as mulheres. O apóstolo Paulo mesmo, viajante contumaz, chega a citar alguns desses perigos:

 

“Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos;”

 2 Coríntios 11:26

 

Viajar em grupo, portanto, era uma necessidade. Caso contrário, o risco era certo. Jesus mesmo usou a figura de um viajante solitário na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:30-35). Sozinho, um homem foi assaltado e espancado, deixado quase à morte.

Falando em Jesus, viajar com seus 12 apóstolos, além do óbvio sentido espiritual de disseminar a Palavra durante sua vida na Terra e após sua morte e ressurreição, também era uma necessidade. Sempre perseguido, andar em grupo era bem mais seguro. Quem não se lembra do fato de Pedro portar uma espada (João 18:10)? A arma não estava em sua cinta à toa.

Novamente falando de Jesus, quando tinha 12 anos, ele e seus pais terrenos viajaram a Jerusalém em grupo para a Páscoa – tanto, que Maria e José não perceberam que o menino não estava com eles na volta, e sim no Templo (Lucas 2:43), pois achavam que ele estava disperso entre a caravana com as outras pessoas, já que saíram todos juntos.

Tais dificuldades só fazem valorizarmos ainda mais o esforço dos viajantes da Bíblia, que enfrentavam tantos perigos para disseminar a Palavra de Deus entre judeus e gentios de reinos distantes, sem as facilidades e a segurança do transporte moderno.

 

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