Mundo Cristao

Lugares da Bíblia - Gamla

Uma das cidades mais prósperas de Israel há cerca de 2,1 mil anos, destruída pelas legiões romanas na Revolta Judaica

Por Marcelo Cypriano
marcelo.cypriano@arcauniversal.com

Na parte sul das Colinas de Golã, em Israel, ficam as ruínas da cidade bíblica de Gamla, numa grande elevação que se assemelha a uma corcova de camelo (daí seu nome, que designa o animal, em aramaico). Arqueólogos concluíram que já era habitada por israelitas na segunda metade do século 2 antes de Cristo (a.C.). Foi a principal fortificação da área na época da Revolta Judaica, cercada com uma imponente muralha.

Inicialmente obedientes aos romanos, os habitantes de Gamla logo se rebelaram. Foi uma das poucas cidades que resistiram ao avanço do general Vespasiano, isolando-se no alto do monte. Na primeira tentativa de invasão, os legionários foram repelidos. Vespasiano elaborou uma nova estratégia: seus soldados abriram vários buracos simultaneamente na muralha, com fortes picaretas feitas exatamente para aquela missão e poderosas catapultas, além de ganchos com cordas, com os quais passavam por cima dos muros. Abrindo as passagens, penetraram na cidade. Mas os cidadãos de Gamla atacaram dos telhados dos imóveis, encurralando os invasores nas ruas, matando muitos deles, forçando a retirada.

Somente na terceira tentativa os legionários reentraram na cidade e venceram os homens de Gamla no combate corpo a corpo. Segundo o historiador Flávio Josefo, mais de 4 mil pessoas foram massacradas na batalha ainda nas ruas e casas, e outras 5 mil, encurraladas no precipício ao norte, foram jogadas ou pularam dele. Essa última hipótese contraria os princípios judaicos, que não admitem o suicídio na maioria das circunstâncias (ainda hoje, os cemitérios judaicos têm uma parte separada para os suicidas).

Abandonada desde a invasão romana, Gamla foi identificada por arqueólogos em 1889, o que mais tarde foi confirmado, em 1968, quando os estudos recomeçaram, após Israel tomar a área na Guerra dos Seis Dias. Foram achadas sólidas evidências da batalha citada: cerca de 100 catapultas, mais de 2 mil pedras balísticas lançadas por elas e mais de 1,6 mil pontas de flecha, além de algumas das picaretas usadas para abrir passagens pelo muro e partes de armaduras dos soldados de Roma.

Hoje, bem próxima às ruínas, está a Reserva Natural de Gamla, que recebe visitantes de todo o mundo em passeios que reúnem história, turismo e a observação de espécies  animais endêmicas (só presentes em um lugar em todo o planeta). A grande Cachoeira de Gamla (à esquerda), com seus 45 metros, tem destaque na exuberância da natureza da região. Um memorial foi erguido perto da cidade (acima, á direita), em honra aos que tombaram defendendo a cidade das legiões romanas.

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