Mundo Cristão
publicado em 31/08/2012 às 04h50.
Lugares da Bíblia - Nínive
Metrópole dos tempos bíblicos pela qual o profeta Jonas intercedeu, hoje é um dos maiores sítios arqueológicos da Terra

Nínive (imagem acima), no atual Iraque, era uma grande metrópole para os tempos bíblicos. Citada várias vezes na Palavra Sagrada, foi a ela que Deus enviou Jonas no episódio em que o homem, fugindo à responsabilidade, foi engolido por um enorme peixe e ficou em seu ventre por 3 dias.
Localizada no nordeste da Mesopotâmia, na margem leste do rio Tigre, floresceu na época entre 800 e 610 antes de Cristo (a.C.) como a capital da Assíria. Foi fundada já na época de Gênesis (10:9-12).
Nessa época de poderio, os assírios conquistaram o reino de Israel e escravizaram seus habitantes. Os antigos ninivitas desapareceram com o tempo, e sua cidade é um vasto campo de ruínas – que ganhou evidência no noticiário internacional por ocasião da primeira Guerra do Golfo, no início da década de 1990, assim como outras antigas localidades de relevância histórica. Parte deles deu origem aos povos da Europa central.
Jonas
Deus ordenou ao profeta Jonas que fosse admoestar os ninivitas em sua imponente cidade, uma das maiores de que se tinha notícia, grande até para os padrões atuais. Os habitantes daquela urbe estavam fadados à perdição pelo pecado.
Conforme o livro de Jonas, o profeta desceu até Jope para pegar um barco para a cidade, mas resolveu fugir para Társis, contrariando as ordens de Deus. Não se achava capaz da missão. No navio, os sempre supersticiosos marinheiros creditaram ao passageiro a tormenta pela qual passavam, e resolveram jogar o “pé frio” ao mar. Feito isso, o Senhor fez com que um grande peixe o engolisse para, 3 dias depois, cuspi-lo em terra, para que de lá ele fosse ao destino ordenado originalmente. A despeito de se achar competente ou não, Jonas aprendeu que, se Deus o enviara, lhe capacitaria. Nínive não foi destruída pela ira divina porque seu povo ouviu o profeta e se arrependeu.
Metrópole
A Bíblia descreve Nínive como uma cidade excessivamente grande. Parte de suas extensas ruínas foram sobrepostas pelos crescentes subúrbios da moderna cidade iraquiana de Mosul, no estado de Ninawa.
Era uma conexão importante para as rotas comerciais mesopotâmicas da antiguidade, em posição privilegiada no caminho entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Índico. Era o centro da ligação entre Oriente e Ocidente, que a fez receber muitas riquezas.

A imponência da cidade à beira do Tigre fazia sua fama no mundo antigo, com construções que não tinham rivais em outras partes do mundo. Arqueólogos encontraram um palácio construído em 700 a.C. pelo imperador Senaqueribe que chegava a ter mais de 500 metros de comprimento. Só a sua base, para se ter uma ideia do tamanho da construção, tinha 22 metros de altura, feita com mais de 160 milhões de tijolos. Seu imponente portão principal tinha cerca de 30 toneladas. Muitos artefatos foram encontrados em suas dependências, alguns estão em museus como o de Pérgamo, na Alemanha (famoso pelo grande número de obras da cidade que lhe dá nome, hoje reivindicadas pela Turquia).
A queda
O apogeu de Nínive durou até perto de 633 a.C, época do Segundo Império Assírio, que começou a mostrar sinais de fraqueza. Os medos e babilônicos a tomaram em 612 a.C., em um grande massacre – esqueletos petrificados são encontrados em abundância até hoje por arqueólogos. Os medos e babilônios dividiram os despojos e territórios.
Novamente ocupada séculos mais tarde, foi palco da famosa Batalha de Nínive, em 627 depois de Cristo (d.C.), entre os impérios Romano Oriental e Persa Sassânida. Tomada pelos árabes no ano 637, aos poucos foi se esvaziando novamente, e Mosul, na margem oposta do rio, tomou sua importância de outrora.

Pilhagem
Após a Guerra do Golfo, em que o Iraque invadiu o Kuwait e sofreu retaliação por parte dos Estados Unidos e seus aliados, as escavações arqueológicas de Nínive foram suspensas e seus artefatos saqueados. Hoje, a cidade está na lista dos 100 lugares históricos mais ameaçados do mundo, elaborada pelo movimento World Monuments Watch (Observatório dos Monumentos Mundiais, em tradução livre). A vizinha Mossul foi intensamente bombardeada por abrigar plataformas de mísseis iraquianos. A comunidade mundial dos historiadores e arqueólogos ainda teme por aquele que é, hoje, o maior sítio arqueológico do Oriente, com 750 hectares.
Participe do 5º Jejum de Daniel, de 13 de agosto a 2 de setembro.
