Mundo Cristão
publicado em 17/08/2012 às 04h50.
Lugares da Bíblia - O túmulo de Daniel
Embora vários lugares pleiteiem encerrar os restos do profeta, o mais aceito por cristãos, judeus e muçulmanos fica no Irã

Túmulos de personagens bíblicos como Raquel, Samuel e Davi – e o que encerrou o corpo de Jesus em Jerusalém por 3 dias até sua ressurreição – são visitados por pessoas de várias culturas de todo o mundo. A tumba que encerra os restos mortais de Daniel também recebe seus visitantes, mas há algo que a diferencia dos outros sepulcros citados: são seis os lugares em que seus mantenedores alegam ter recebido o corpo do profeta.
Veja também:
Entretanto, a versão mais aceita por parte de judeus e muçulmanos e até um certo número de cristãos, para quem o personagem é muito importante, é a de que seus restos mortais estão em Susã, no atual Irã. Há documentos persas do século 7 que atribuem à cidade o destino final do corpo de Daniel, em um santuário com teto em forma cônica, visível de qualquer ponto da urbe (foto acima).
Daniel morava na Babilônia, na Mesopotâmia, durante seu cativeiro, em que servia à corte. Visitava a próxima Susã frequentemente, segundo estudiosos, e chega a citar a cidade em seu livro na Bíblia:
“No ano terceiro do reinado do rei Belsazar apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio.
E vi na visão; e sucedeu que, quando vi, eu estava na cidadela de Susã, na província de Elão; vi, pois, na visão, que eu estava junto ao rio Ulai.”
Daniel 8:1-2
Embora não esteja registrado na Palavra Sagrada o lugar em que o profeta morreu, a tradição defende Susã como local de repouso final de seu corpo.
Relatos de Tudela
O escritor medieval Benjamin de Tudela (1130-1173), um judeu espanhol, descreveu em seus livros a vida na Idade Média por todos os caminhos que percorria pela Europa, Ásia e África, tal como o fizeram viajantes do quilate de Marco Polo por essas e outras paragens.
Tudela (ilustrado ao lado, com sua comitiva) visitou a Ásia entre 1160 e 1163, e relatou que havia uma crença popular sobre o corpo de Daniel, situado próximo à margem do rio Ulai: quem morasse na margem em que o profeta estivesse enterrado teria uma vida próspera e feliz, enquanto quem residisse do outro lado do curso d’água passaria por muita miséria. A fim de resolver o “problema”, os moradores da cidade fizeram um acordo: periodicamente, os restos mortais mudariam de lugar, alternadamente em cada margem. Tal costume perdurou por anos, até o sultão Sanjar (1085-1157), em visita a Susã, saber da prática e proibi-la, alegando que era uma grande falta de respeito para com o profeta.
Sanjar ordenou, então, que os ossos de Daniel fossem encerrados no meio de uma ponte, sobre a qual foi construída uma capela que poderia ser visitada por pessoas de qualquer crença.
O templo em que os restos do profeta estariam recebeu um teto em forma de cone, que ficaria exatamente sobre a sepultura, com dois minaretes (torres típicas das mesquitas) próximos.
Lugares “alternativos”
Superstições idólatras à parte, outros cronistas da época alegam, porém, que o esquife com os restos de Daniel foi enterrado no leito do rio, e o túmulo podia ser visto da margem.
Além dessa história, outros lugares são tidos como o repouso final dos ossos do profeta – o que é defendido por autoridades e habitantes locais por atrair peregrinos:
- Na área da antiga Babilônia – o que faz certo sentido –, no atual Iraque.
- Kirkuk, também no Iraque, em um edifício de origem judaica convertido em templo cristão, depois realterado como mesquita. Nele estariam os restos não só de Daniel, mas de seus companheiros judeus que serviam com ele no palácio babilônico.
- Muqdadiyah, Iraque. O considerado túmulo teria sido destruído por rebeldes de uma cidade vizinha, Al Wahihiya, em 2007, fruto dos distúrbios de protesto pela permanência de tropas dos Estados Unidos e aliados no país desde a queda de Saddam Hussein.
- A cidade de Mala Amir, no Turquistão, grande região da Ásia Central da qual o Uzbequistão faz parte.
- Samarcanda (a bela cidade na foto abaixo), no Uzbequistão, país da Ásia Central que já fez parte da extinta União Soviética. A justificativa se baseia num acontecimento não comprovado pela história. O imperador turco-mongol Tamerlão (1336-1405) tinha dificuldades de tomar a Mesopotâmia, por suas tropas não desejarem desrespeitar o lugar onde Daniel estava enterrado. Por esse motivo, montou uma operação para apoderar-se do corpo do profeta e trasladá-lo para a região do atual Uzbequistão.

A despeito do lugar em que seu corpo físico foi enterrado, o que realmente vale para os cristãos foi o grande exemplo de Daniel como homem obediente a Deus e submisso aos Seus desígnios.
Participe do Jejum de Daniel, de 13 de agosto a 2 de setembro.
COMPARTILHAR
2 Comentário(s)
Laura Postado em:
Realmente, Daniel é um exemplo para os cristão. Esse jovem agiu de forma diferente de seus amigos para agradar a Deus.
elian aoliveira Postado em:
UM GRANDE HOMEM DE DEUS ISSO É O QUE IMPORTA.DESEJO SER UMA SERVA DE DEUS ASSIM COMO ELE E OS OUTROS SERVOS.
