Mundo Cristão

Lugares da Bíblia - Túmulo dos Patriarcas

Localizado em Hebrom, na Cisjordânia, grande monumento sob disputa entre judeus e muçulmanos encerra os restos mortais de Abraão, Isaque, Jacó e suas esposas

Da Redação / Fotos: Wikimedia, Thinkstock
redacao@arcauniversal.com

Abraão comprou do heteu Efrom um pedaço de terra em Hebrom, território hoje sob controle palestino, na Cisjordânia, para enterrar nele sua amada esposa Sara (Gênesis 23). Foi o primeiro terreno adquirido pelo “pai do povo de Deus” na região. Posteriormente, também seriam enterrados naquele local o próprio Abraão, Isaque e Jacó, e suas respectivas esposas, Rebeca e Lia – curiosamente, há quem acredite até mesmo que os restos de Adão e Eva repousam lá. O lugar, como vários outros, é objeto de disputa entre judeus e muçulmanos. Pela importância histórica e sagrada, é importante tanto para essas duas culturas como para a cristã.

O local é chamado de Macpela (“tumba de covas gêmeas”, em hebraico transliterado). Na época de Herodes, foi erguido um grande edifício em volta como monumento aos enterrados lá. Os muçulmanos o transformaram na Mesquita de Ibraim (como Abraão é conhecido, para eles).

Para os judeus, Macpela é o segundo lugar mais sagrado após o Templo de Salomão, justamente por ter sido a primeira posse de Abraão em Canaã. Como os muçulmanos controlam 81% do local, há um acordo com os judeus que os autoriza a visitar os túmulos de Isaque e Rebeca no grande mausoléu-templo, mas somente durante 9 dias do ano, importantes para a religião judaica.

Quando Hebrom estava sob domínio do Império Otomano, os judeus só podiam orar do lado de fora da edificação, proibidos de entrar. Durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel tomou o controle da área. Rumores indicam que o general Moshe Dayan, líder do exército israelense, teve então acesso às sepulturas antes não autorizado, no piso inferior do prédio, com alguns de seus homens das mais altas patentes. Hoje, a maior parte do local é novamente controlada pelos muçulmanos (na foto abaixo, o epitáfio de Abraão, em árabe). Eles e os judeus segregam-se sob forte esquema de segurança.

Atentado

Homens armados e câmeras vigiam o local continuamente. O reforço foi feito após um triste acontecimento em 1994. Baruch Goldstein, um colono judeu nascido nos Estados Unidos e radicado em Israel, membro do movimento de extrema-direita Kahane Kach, abriu fogo com uma metralhadora no interior da mesquita, matando 29 muçulmanos e ferindo dezenas de outros. Alguns sobreviventes reagiram, matando Goldstein a pancadas. As autoridades israelenses se pronunciaram lamentando o fato como um ato vergonhoso e isolado de um terrorista, e não uma ação do Estado. O episódio ficou conhecido como o “Massacre do Túmulo dos Patriarcas”.

Polêmica

Em 2010, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) listou o Túmulo dos Patriarcas como um dos importantes santuários palestinos. Israel não gostou nada da história. Benjamin Netanyahu, atual primeiro-ministro israelense, chamou a classificação de “absurda”, pois o local é importante, a seu ver, para as duas culturas. Israel declarou o túmulo como patrimônio da herança histórica de seu povo. Contudo, o monumento ainda fica na Cisjordânia, que os palestinos reivindicam para seu futuro Estado, que tanto almejam.

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