Mundo Cristão
publicado em 13/01/2012 às 04h50.
Lugares da Bíblia - Vale do Elá
Nele aconteceu a histórica batalha entre o pastor Davi e o gigante Golias

Do alto da cidade de Azeca é possível apreciar a ampla paisagem do Vale do Elá, cenário de passagens bíblicas protagonizadas por Davi, pastor de ovelhas que veio a se tornar o maior dos monarcas de Israel. Foi nesses campos que ele venceu a épica batalha contra o gigante filisteu Golias (1 Samuel), e onde ele se refugiou, em suas muitas cavernas, da ira do invejoso rei Saul.
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Azeca, arrojadamente fortificada, foi uma das últimas cidades a caírem pelas mãos dos babilônios na invasão de Judá, em 586 antes de Cristo (a.C.). Abaixo dela se descortina o vale que leva o nome da árvore elá, abundante na área nos tempos bíblicos.
Foi no Ribeiro de Elá, que corta o vale, que Davi pegou as famosas cinco pedras que pretendia usar como munição de sua funda (uma atiradeira rudimentar) contra o brutamontes filisteu, famoso por ter matado muitos homens em batalha:
“E tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco seixos do ribeiro,
e pô-los no alforje de pastor, que trazia, a saber, no surrão, e lançou mão da sua funda;
e foi aproximando-se do filisteu.”
(1 Samuel 17:40)
Até hoje, cristãos e judeus de todo o planeta costumam recolher pedras do raso curso d’água, lembrando o audacioso pastor que enfrentou aquele que procurava desonrar os domínios do Deus vivo.

“Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado.
Hoje mesmo o SENHOR te entregará na minha mão, e ferir-te-ei, e tirar-te-ei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e às feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel;
E saberá toda esta congregação que o SENHOR salva, não com espada, nem com lança; porque do SENHOR é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão.
E sucedeu que, levantando-se o filisteu, e indo encontrar-se com Davi, apressou-se Davi, e correu ao combate, a encontrar-se com o filisteu.
E Davi pôs a mão no alforje, e tomou dali uma pedra e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa, e a pedra se lhe encravou na testa, e caiu sobre
o seu rosto em terra.
Assim Davi prevaleceu contra o filisteu, com uma funda e com uma pedra, e feriu o filisteu, e o matou; sem que Davi tivesse uma espada na mão.
Por isso correu Davi, e pôs-se em pé sobre o filisteu, e tomou a sua espada, e tirou-a da bainha, e o matou, e lhe cortou com ela a cabeça; vendo então os filisteus,
que o seu herói era morto, fugiram.”
(1 Samuel 17:45-51)
Davi tornou-se o grande campeão de seu povo e passou a conviver com a nobreza em seus palácios. Mas isso não teve somente consequências agradáveis, como veremos a seguir.
Cavernas de refúgio
No limite leste do vale fica Adulão, região deserta na época de Davi, onde ele se refugiou da perseguição de Saul. O rei enciumou-se, pois o povo cantava os atos heroicos de Davi em suas festas, exaltando-os mais que os feitos do monarca. A inveja foi tão grande que Saul chegou a atirar uma lança contra Davi nas dependências do palácio, da qual o rapaz se esquivou. Podia enfrentar aquele que era seu senhor entre os homens, mas, humildemente, preferiu retirar-se, empreendendo uma longa fuga ajudado por seu melhor amigo, Jônatas (filho de Saul).
O jovem pastor, tocador de harpa e guerreiro refugiou-se nas várias cavernas de Adulão, tanto da ira de Saul quanto dos filisteus, que tinham posto sua cabeça a prêmio. Com ele, centenas de homens que o obedeciam.
O rei saiu no encalço de Davi com milhares de homens de seu exército. Numa noite, cansado, adormeceu numa das cavernas. Justamente na caverna em cujo fundo estavam Davi e seus homens. Eles cogitaram matar o monarca, mas Davi discordou: quem seria o infiel a tirar a vida do ungido de Deus? Apenas cortou a orla do manto real e se escondeu de novo. Quando o rei se levantou e ia saindo, Davi gritou do fundo da caverna, mostrando-lhe o pedaço do manto. Saul, constrangido e penalizado por Davi lhe retribuir com bem o mal que recebera, disse que perdoou o rapaz e o aceitou de novo no reino. Mas Davi desconfiava de suas verdadeiras intenções. Dias mais tarde, novamente Saul adormeceu no campo, entre seus soldados, e Davi novamente pôde matá-lo, mas não o fez. Pegou sua lança e seu cantil de água, e quase a mesma cena da caverna se repetiu.
Saul foi ungido por Deus. No entanto, o poder lhe subiu à cabeça, a ponto de ele se convencer de sua autosuficiência. Desconsiderou sua dependência de Deus, o que o levou a constantes abusos de poder e a ser mal visto por seu povo. Mais tarde, envergonhado de suas atitudes contra seu próprio cargo, seu povo, seu Deus e até contra um homem que o amava como a um pai (Davi), Saul suicidou-se, lançando-se contra sua própria espada. Davi seria, logo depois, ungido e coroado o novo rei, e veio a ser o maior líder que seu povo já teve, um dos principais monarcas da história.

Até hoje, o Vale de Elá atrai turistas e peregrinos de todos os cantos do mundo, atrás das histórias de glória de um jovem pastor ruivo que venceu um enorme inimigo com uma simples pedrada certeira na testa e mudou a história de sua nação.
Na tevê e no cinema
A história do pastor que veio a ser rei já foi contada no cinema algumas vezes. Em “Davi e Betsabá” (1951), o foco era o romance entre o protagonista (interpretado pelo astro Gregory Peck, de “Os Canhões de Navarone”) e a esposa de seu general Urias, quando Davi cede à tentação e envia o militar para a morte para ficar com a mulher. Em “Rei Davi” (de 1985, na foto à direita), com Richard Gere (“Sempre ao Seu Lado”) no papel principal, a biografia do monarca é contada desde a sua juventude até seus dias como governante.
Em breve, o público da Rede Record poderá saber mais sobre o herói bíblico em uma nova série, também intitulada “Rei Davi”, com Leonardo Brício no papel-título:
Mas não termina aqui. Em Hollywood, já estão em fase de pré-produção dois grandes filmes contando a história do maior monarca do povo judeu. “Golias”, de Scott Derrickson (“O Dia em que a Terra Parou”) e a aventura épica em 3D baseada no livro “Day of War”, de Cliff Graham, dirigida por David Cunningham (“Os Seis Signos da Luz”).
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1 Comentário(s)
Andrielly Postado em:
Vai ser muito bom a miniserie do Rei Davi na record!
