Mundo Cristão

O peso do ar

O livro de Jó já mostrava, ainda nos tempos do Antigo Testamento, que a atmosfera tem massa, ainda que seja invisível a olho nu

Por Marcelo Cypriano
marcelo.cypriano@arcauniversal.com

Ao mesmo tempo em que Jó se lamentava de sua má sorte, descrevia a grandeza da obra de Deus, utilizando-se fartamente de aspectos da natureza criada pelo Pai. Um bom exemplo: "Quando regulou o peso do vento, e fixou a medida das águas” (Jó 28:25).

Muitos não param para pensar: sim, o ar tem peso. Tem massa. É matéria, não é um simples nada, pois dessa forma seria vácuo. Como podia um homem como Jó, ainda que outrora tivesse sido próspero, ter acesso a tal informação? Mesmo que importante em seu contexto, em sua comunidade, o servo de Deus que depois caiu em desgraça estava longe de ser um homem das ciências. Assim como ele, a maioria da população mundial ainda não tinha noção disso. Como pode o livro de Jó, escrito bem antes de as informações serem tão facilmente encontradas como hoje, entender isso? Com a metáfora de “peso do vento”, o personagem bíblico já mostrava que o ar tem massa, que se movimenta.

A Bíblia, muito antes de essas informações estarem amplamente disponíveis ao público, já atestava o ar como matéria, muito antes de o italiano Evangelista Torricelli (1608-1647, na ilustração ao lado), contemporâneo de Galileu Galilei e seu parceiro de pesquisas, realizar amplos estudos sobre o ar, como o que o fez descobrir a pressão atmosférica e inventar um aparelho para medi-la, o barômetro.

Hoje, a pressão atmosférica é medida em milibares (com a sigla mb), sendo a normal de 1.013  unidades ao nível do mar. Como o ar tem peso, a gravidade o atrai para a superfície da Terra. Quanto mais perto dela, mais peso. Quanto mais vamos subindo, mais o ar é escasso, rarefeito, portanto, com pressão inferior. Esse é um dos motivos pelo qual alguns aviões são pressurizados, ou seja, têm a pressão mantida artificialmente em seu interior para que os passageiros e a tripulação não sofram a ação da rarefação do ar.

Prosseguindo com os estudos de Torricelli e seus contemporâneos, seus sucessores conseguiram separar a atmosfera de nosso planeta em cinco camadas distintas, ainda que invisíveis a olho nu:

Troposfera: a mais baixa, localizada entre 8 e 16 quilômetros (km) de altura, é a que fica mais próxima dos seres vivos. Nela está contido o ar que respiramos (e tanto poluímos).

Estratosfera: Nela fica a famosa camada de ozônio que envolve o planeta e o protege de grande parte da radiação solar. Ela está entre 12 e 50 km de altitude.

Mesosfera: A camada mais fria da atmosfera, entre os 50 e 80 km de altura.

Termosfera: Entre 80 e 400 km do solo, é a camada mais extensa e a mais quente, já que absorve mais radiação solar.

Exosfera: A última camada, de ar extremamente rarefeito, limita a atmosfera, pois além dela já é o espaço. Com a termosfera, forma a porção também chamada ionosfera.

Vale salientar que a Bíblia, como um dos principais instrumentos de Deus para se comunicar com o homem, já continha, na época em que estava sendo escrita, a sabedoria que o Criador queria compartilhar com seus filhos, bem antes do advento do aparato tecnológico e de divulgação dos quais dispomos hoje.

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