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publicado em 24/06/2012 às 04h50.
Expor o filho à realidade é benéfico ou maléfico?
O conhecimento sobre as dificuldades da vida nem sempre é saudável para as crianças
Há pais que fazem questão de expor o lado brutal e difícil da vida aos filhos pequenos, uns deixam assistir filmes e programas violentos, e outros não escondem brigas e problemas financeiros da família. Mas até onde isso é bom e ruim?
Para a psicóloga Tatiane Ades é preciso saber conhecer a linha tênue entre o conhecimento da realidade dura e difícil da vida e o conhecimento de um mundo bom e benéfico. “Em cada fase, a criança estará preparada para receber a realidade da forma como é, mas é bom lembrar que nem sempre é saudável que essa realidade seja exposta de forma muito violenta.”
Tatiane explica que há verdades supremas que não devem ser escondidas. “Contar aos filhos sobre a morte é uma realidade importante, até porque futuramente ele precisará enfrentar o luto. E dizer que a morte não existe, apenas transformará essa criança num adulto medroso e sem base para enfrentar o mundo.”
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Porém é necessário um pouco mais de cautela para outros fatos mais duros, mostrando aos poucos como a vida é composta. “Por outro lado, expor á criança a um excesso de violência é péssimo, pois ela verá o mundo de forma devastadora. Por isso, é preciso conduzir lentamente para uma realidade em que exista o bem e o mal, nunca se esquecendo de dar a confirmação de que sempre haverá uma saída e que a luta faz parte da vida”, esclarece a psicóloga.
Por isso, a consciência que os pais devem ter quando falarem a realidade para as crianças é de suma importância para a vida adulta do filho. “Eles devem saber que os filhos crescerão e precisarão enfrentar questões importantes como o luto, as perdas em relacionamentos, um mundo selvagem e egoísta na área profissional, a competitividade da sociedade, entre outros obstáculos. Mas eles também precisam deixar sempre uma sensação positiva de que essas questões podem e devem ser resolvidas, pois fazem parte da vida”, ressalta.
O jeito certo
É claro que há uma forma correta de explicar a realidade para uma criança, sem tratá-la como adulta. “Lidando com seriedade, respeito e carinho. Sendo objetivo e ao mesmo tempo tendo o tato para não deixar a criança assustada e preocupada, mas alerta e consciente dos problemas reais da vida”, aponta Tatiana.
Se a maneira correta e cuidadosa não for colocada em prática, há consequências que se manifestarão somente quando adulto. “Um adulto que ouviu apenas as angústias e fragilidades da vida certamente terá pouca sensibilidade. É preciso conversar com nossas crianças para que elas sejam pessoas preparadas, porém sensíveis e esperançosas.”
Por outro lado, evitar demais que o filho conheça a realidade da vida terá resultados plausíveis quando ele for maduro. “Se a criança for poupada da realidade, achará que a vida será sempre cor de rosa e não saberá que conflitos existem e estarão sempre presentes. Por isso esse mundo encantado não pode ser criado, senão o adulto receberá qualquer obstáculo como algo extremamente desafiador e doloroso. Uma criança que lida com a verdade desde cedo será certamente um adulto mais preparado para enfrentar o mundo.”
