Comportamento
publicado em 06/12/2012 às 04h50.
Cobrar o outro é bom, mas fazer a sua parte é difícil
O que acontece com aquele que exige uma postura do outro, mas não cumpre o seu próprio papel?

Ligações telefônicas não recebidas. Visitas prometidas e não cumpridas. Companheirismo e amizade que ficam cada dia mais frios pela falta de cultivo e da convivência, que ainda são agravados por quem pede maior contato, mas não faz nada para que isso aconteça de fato.
Parece algo antagônico, mas o que mais vemos hoje são pessoas com dificuldade de trocar, porque não conseguem se relacionar bem com o outro. "Para que esse relacionamento aconteça é preciso comunicação, diálogo e contato. A comunicação se resume em conseguir transmitir uma mensagem, o que possibilita um diálogo que é a convivência e a troca entre as partes. Porém o mais complicado é o contato, pois quando isso acontece há abertura para que a vida privada seja dividida", explica a psicóloga Roseleide da Silva Santos.
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Entretanto, ela ressalta que não são todas as pessoas que desejam ter esse contato ao ponto de não somente participar da vida do outro, mas de se abrir para que o outro participe da sua vida também. "O contato depende da qualidade da relação que se tem. Por isso, o mais delicado é a forma de contato, porque ou se abrem ou se fecham para essa convivência, já que as pessoas têm dificuldade de dar o limite para a abertura. Para alguns é exposição demais."
Há ainda pessoas que cobram o outro por essa falta de aproximação e convivência, mas elas mesmas estão fechadas para que isso aconteça e sempre colocam empecilho para os encontros. "Isso acontece porque é difícil admitir um erro. É mais fácil delegar aquilo que eu não faço, do que reconhecer que em mim está a dificuldade de entrar em contato com alguém. Além disso, pode ter medo da exposição da vida ao outro e nisso abrir possibilidade de críticas, julgamentos, inseguranças", enfatiza Roseleide.
Não somos uma ilha
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A psicóloga explica que "estar em contato com o outro é uma forma de construção pessoal, ninguém consegue se construir sozinho, por isso é importante estar com outras pessoas. Porém, essa construção implica em trabalho, em esforço de estar com alguém, em cultivar uma amizade diariamente".
Para Roseleide, o problema nessa falta de interesse de estar com as pessoas é porque as mídias sociais impuseram a possibilidade da amizade virtual. "As pessoas querem imprimir a mesma velocidade da internet na relação pessoal, sem terem que visitar o outro. São relações supérfluas, pois hoje não se tem mais essa tolerância para ter uma relação mais aprofundada. O que importa é a quantidade de amigos que eu tenho e não a qualidade dessa amizade", exemplifica.
Convivendo com quem não quer conviver
A psicóloga diz que a primeira coisa a fazer é analisar o relacionamento em si. "Primeiro temos que pensar que nossas atitudes condizem com as nossas necessidades. Se a necessidade é estar próxima daquela pessoa, deve ter a consciência de que não será da sua forma, mas da forma que o outro quer que seja e isso pode significar certa frieza."
Lidar com pessoas fechadas para o convívio, para uma relação mais íntima, não é confortável. "Deve aceitar a realidade que não terá contrapartida da pessoa, mas também não pode submeter-se a um relacionamento que está em total desacordo."
Ela finaliza ressaltando que um relacionamento, seja de amizade, entre familiares e até mesmo a dois, precisa ser valorizado por ambas as partes. "Quando se fala de amizade, se fala de cultivo, de constância. Um bom relacionamento não é passageiro, é para sempre."
