Comportamento
publicado em 18/11/2010 às 04h50.
Espelho, espelho meu
Pesquisa revela que mulheres chegam a ficar cinco dias se dedicando à vaidade

Batom, blush, base e máscara para cílios. Boa parte das mulheres costuma andar com estes itens na bolsa e não abrem mão de estarem sempre bonitas e maquiadas. Isso se reforça através de uma pesquisa que foi realizada pela TV QVC Beauty, uma rede de televisão da Inglaterra, que ouviu mil mulheres com idades entre 18 e 60 anos.
Os resultados apontaram que as inglesas são muito vaidosas. Cerca de 40% não saem de casa sem maquiagem e 19% se alimentariam menos só para poder gastar mais com produtos de beleza.
Para Fátima Bittencourt, psicóloga e diretora do Grupo Sanare, a vaidade em excesso é um reflexo da sociedade atual que estabelece padrões de beleza, o que acaba forçando muitas mulheres a tomar atitudes que podem se tornar prejudiciais com o tempo.
“Os padrões de beleza estabelecidos atualmente exigem uma aparência perfeita para a mulher ser aprovada nesse clube que parece ser uma ‘ditadura’. No caso das que não desenvolveram uma autoestima para se sustentarem emocionalmente nesse grande mito social, acabam desenvolvendo o que chamamos de vaidade excessiva”, diz.
A especialista alerta ainda que quando a vaidade vira obsessão ela pode se transformar em um transtorno. “Tudo o que se faz com equilíbrio e bom senso é saudável e necessário para a vaidade, como uma cirurgia de pálpebras, por exemplo. O que é preocupante é quando essa necessidade intensa de se modificar para agradar esse padrão de que algo está errado no corpo se torna uma obsessão, transformando-se num distúrbio chamado de Transtorno da Imagem Corporal.”
Obsessão quase destruiu casamento
A designer Rafaella Mattos, de 29 anos, conta que quase teve o casamento destruído devido à busca excessiva pela beleza. “Passei um longo período acreditando que não, mas, por alerta do meu marido e de alguns amigos mais próximos, acabei percebendo que sempre vou além dos meus limites em busca da beleza. Quase perdi o meu marido por causa disso. Ele alegava que eu dedicava mais tempo aos salões de beleza, às academias e aos shoppings do que a ele”, relata.
Rafaella diz que só melhorou quando buscou tratamento psicológico. “Meu filho de três anos demorou muito para me reconhecer como mãe. Foi quando percebi que estava perdendo as pessoas mais importantes da minha vida. Para recuperar tudo, procurei a ajuda de um profissional e passei a controlar melhor meus horários. Hoje meu marido confia mais em mim, mas não deixa o cartão na minha mão”, diz.
De acordo com Fátima Bittencourt, as mulheres que sofrem com essa obsessão pela beleza devem procurar ajuda psicológica. “É indicado procurar um profissional qualificado, pois essa compulsão é patológica e causa sérias consequências à saúde. A psicoterapia é um tratamento indicado para aprender a se aceitar e ter autoestima. Não é necessário seguir a moda e padrões impostos para ser feliz”, finaliza.
Agência Unipress Internacional
