Comportamento
publicado em 20/10/2012 às 04h50.
Uma criança grande
Até onde um adulto pode ser um pouco criança?
“Ele é uma criança grande!” Essa frase é muito usada quando se conhece alguém que age como criança, está sempre brincando e levando os problemas e situações de forma leve e, às vezes, até mesmo pura. Mas até onde isso é benéfico para um adulto?
Para a psicóloga Tatiana Ades, é saudável que o adulto possa ser criança. “O adulto deve ser criança sempre. O lado lúdico deve existir até para que ele consiga ser transparente e maleável. Porém, não podemos confundir o lado criança com infantilidade e imaturidade.”
Fato é que a criancice não pode dar espaço para a falta de amadurecimento. “Um adulto infantil e imaturo será um eterno fanfarrão, não enfrentará a vida com seriedade e não conseguirá criar limites sólidos e importantes na vida adulta. O importante é ser criança na medida certa, reconhecendo a necessidade dos limites entre um lado infantil benéfico e outro extremamente maléfico”, enfatiza Tatiana.
Parece antagônico, mas é possível ter momentos infantis sem levar isso para o mundo adulto. “Para conseguir ser criança sem deixar a responsabilidade de lado é preciso ter consciência de que a vida é um processo contínuo e que não podemos pular etapas e tampouco ficarmos atados ao passado. O adulto precisa sempre se autoanalisar para reconhecer seus limites e o lado infantil saudável.”
Maturidade de adulto, esperança de criança
Ser criança em tudo quando na fase adulta pode influenciar negativamente em sua relação com o mundo. “Caso um adulto se fixe na fase infantil e não cresça emocionalmente, terá conflitos com ele mesmo e com os outros, pois a imaturidade leva à falta de limites, impulsividade e a uma vida sem regras”, ressalta a psicóloga.
Tatiana explica que há consequências boas e ruins de ser uma “criança grande”. “O lado bom engloba ser feliz, pois ele é capaz de enxergar o lado lúdico da vida, não sendo tão sério e estressado o tempo todo, além de ser uma pessoa mais maleável. Já o lado prejudicial envolve falta de disciplina, responsabilidade e maturidade emocional necessárias para o adulto saber lidar com todas as questões do dia a dia.”
É importante também salientar que o adulto deve ter uma visão do que é estar nessa fase. “A vida não pode ser um parque de diversões, precisamos ter consciência de que saber viver é saber amadurecer e lidar com situações difíceis, e não fugir delas. É preciso enfrentar a vida com a maturidade do adulto e a esperança da criança”, finaliza Tatiana.
