Comportamento

Jovem se refugia primeiro no álcool

E pode comprometer todas as áreas da vida

Por Tany Souza
tany.souza@arcauniversal.com

É fácil ver nas ruas grupos de jovens andando com copos nas mãos ou perto de alguma casa noturna, consumindo bebidas alcoólicas antes de entrar para “curtir a noite”, como dizem. Mas o que os leva ao álcool?

A psicóloga Izabel Santa Clara explica que o álcool pode trazer problemas muito sérios e além do que se imagina. “É um grave problema de saúde pública, que pode comprometer a vida pessoal, familiar, social e ocupacional do usuário.”

Segundo ela, a adolescência é uma fase de diferenciação, o que faz o jovem buscar fora do sistema familiar outra identidade. “É neste processo de distinção que ele busca também uma igualdade com sua ‘turma’, novos valores vão sendo acrescentados e ele vai avaliar, dentro da sua imaturidade, porque ele precisa ficar igual, para sentir-se pertencente àquele grupo. Com o álcool não é diferente.”

E para se sentir cada vez mais parecido com seus amigos, os jovens consomem bebida alcoólica, que reduz o nível de ansiedade. “Ele dá a sensação de diminuir a pressão dos amigos, dá sensação de onipotência, que é característica da juventude, causa desinibição”, diz Izabel.

E este acesso à bebida alcoólica se dá por diversos motivos. “O baixo custo e fácil acesso, juntamente com a falta de controle na oferta e no consumo dos produtos que contêm álcool, a propaganda dirigida ao público mais jovem e principalmente a ausência de limites sociais levam ao contato do adolescente com a bebida, e pior, cada vez mais cedo”, aponta a psicóloga.

Outras consequencias do uso do álcool são as mudanças emocionais e comportamentais. “A excitação psíquica, euforia, falta de capacidade crítica, confusão, alteração da coordenação motora, aumento da violência, entre outras. Quando o uso se torna crônico, estes sintomas ficam ainda mais comprometidos e agravados, se manifestando de forma ainda mais exacerbada, sendo muitas vezes, uma porta de entrada para outras drogas, sem esquecer que o metabolismo das pessoas mais jovens faz com que os efeitos da bebida sejam potencializados”, comenta Izabel.

O papel dos pais

A psicóloga ressalta que cada caso é diferente do outro, mas os pais devem sempre orientar e participar da vida de seus filhos, conhecendo seus amigos e a família deles. “Somente proibir não vai adiantar. A proximidade com a vida do adolescente facilita o diálogo caso exista um problema como o alcoolismo. Quando o problema se instala de forma efetiva, o ideal é buscar uma ajuda especializada, tanto para o adolescente, como para sua família.”

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