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publicado em 09/08/2012 às 04h50.
As quatro pétalas da Rosa
Rosalina: como uma mulher, até então trabalhadora, pode, de uma hora para outra, tornar-se uma assassina?
"As quatro pétalas da Rosa" narra a história de quatro mulheres que se conhecem parcialmente, e que possuem, além do nome, outra coisa em comum: a violência doméstica. No entanto, uma não conhece esse segredo da outra e, por sofrerem caladas, acabam tendo finais completamente diferentes. As quatro pétalas são as quatro mulheres representadas por uma das mais significativas flores que existem, a rosa. As pétalas formam um todo, mas, individualmente, e sem proteção, são fracas e morrem.

Já estou presa há alguns anos, tempo suficiente para mergulhar na depressão. Divido a cela com outras três mulheres, mas procuro não demonstrar a minha solidão. Cada uma já tem o seu próprio problema a resolver, o próprio dilema a superar, por isso não gosto de ficar mostrando o que sinto a elas ou a quem quer que seja. Não que não gostem de me ouvir, ao contrário, sei que compartilhar o dia a dia uma com a outra nos faz sentir melhor, mas é que não gosto mesmo de contar, porque isso me remete ao passado, um lugar de onde ainda não saí.
Mas eu sei que é difícil. Sei que não dá para escapar do que passou e que tenho que aprender com cada passo que dei para não voltar a cometer os mesmos erros mais tarde. Foi o que me disse uma moça na semana passada. Ela veio com um grupo de mulheres que sempre estão no presídio procurando conversar conosco.
Numa dessas vindas, eu lhe contei algumas coisas. Falei do meu isolamento, da minha tristeza por estar longe de casa, das noites que passo sem dormir. Fui me envolvendo com as palavras até que quando menos esperei comecei a chorar angustiada. Chorei tanto que parecia estar com saudade das lágrimas. E me inundei nelas. Já a moça só me ouvia. Por um momento pareceu-me fria, mas percebi que, na verdade, estava se segurando também. Foi assim por muitos e muitos minutos: eu falando e ela escutando. Escutava com os olhos, com as mãos, não só com os ouvidos.
Contei-lhe de quando me senti atraída por um cliente. E revelei-lhe que foi neste ponto que começou a minha prisão. Ela não entendeu muito bem, então lhe expliquei tudo – a oportunidade que eu estava dando a mim mesma para colocar para fora o que há tantos anos guardava dentro de mim.
Aquela jovem me tranquilizou. E foi por isso que me senti confiante em falar a ela pouco a pouco o que havia acontecido comigo – como uma mulher, até então trabalhadora, pode, de uma hora para outra, tornar-se uma assassina.
Comecei falando de quando o Jorge saiu do meu salão; que fiquei pensando nele a noite inteira. Contei-lhe que ele sabia disso, que havia percebido o meu interesse nele. E que na outra semana apareceu no meu salão novamente convidando-me para sair. Naquele instante não tive sombra de dúvidas de que aconteceria alguma coisa entre a gente. A nossa “química” era muito grande.
Expliquei àquela jovem atenta a mim que havia aceitado sair com ele – era a minha chance de entrar o ano de namorado novo, eu pensava entusiasmada. Afinal era eu a viúva e não a “defunta” que devia padecer em vida. A moça me interrompeu por um momento. Mais um deles. Não entendera a parte em que lhe contava sobre a viuvez. Então tive que voltar ao tempo, desta vez mais atrás, para lhe falar sobre o meu primeiro e até então último casamento.
Aguarde a continuação.
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1 Comentário(s)
rafaelle Postado em:
Creio que existiram outros detalhes a serem narrados, mas a principio, o comentario ja nos diz que nem tudo que reluz é ouro e que para cada ação nossa, existira uma reação. nao podemos nos enganar com o olhar ou palavras bonitas, temos que avaliar se estamos entrando em uma relação pela razao ou pela emoção e termos certeza que a vontade de Deus é que esta sendo feita.
