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As quatro pétalas da Rosa

Maria Rosa Bárbaro: ela deixou para trás o passado e olhou para o próprio coração. Uma cega paixão estava se aproximando

Por Jaqueline Corrêa / Foto: Thinkstock
jaqueline.correa@arcauniversal.com

As quatro pétalas da Rosa narra a história de quatro mulheres que se conhecem parcialmente, e que possuem, além do nome, outra coisa em comum: a violência doméstica. No entanto, uma não conhece esse segredo da outra e, por sofrerem caladas, acabam tendo finais completamente diferentes. As quatro pétalas são as quatro mulheres representadas por uma das mais significativas flores que existem, a rosa. As pétalas formam um todo, mas, individualmente, e sem proteção, são fracas e morrem.

Apesar da cena que a fez acabar com o casamento, Maria Rosa Bárbaro conseguiu se restabelecer. Mergulhou no trabalho, nas noites a fio entre papéis e contratos. Parecia estar cada dia mais forte. Um ano e meio já havia se passado desde aquele dia. E por lembrar constantemente da vontade que teve de se matar, resolveu dar novamente uma chance a si.

Aquele baque do marido foi muito profundo. Logo ela, que compreendia o cansaço demasiado dele; que sempre aceitava as viagens repentinas a negócio; que jamais reclamara de seu trabalho intenso... Logo ela, uma esposa dedicada, apesar de muito ocupada também.

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Maria Rosa, um dia, resolveu mudar. Deixou para trás o passado, de dedicar-se tanto para os negócios e olhou para o próprio coração. Continuou a sua feroz labuta de todos os dias, mas começara a perceber que a vida não se resumiria somente a trabalho, contas, dinheiro, contratos. Talvez porque tivesse superado a traição, talvez porque decidiu olhar para a própria vida por um ângulo diferente, ou porque já estivesse interessada no novo funcionário da multinacional na qual trabalhava.

Era um rapaz visivelmente mais jovem; mais charmoso do que bonito, simpático com as palavras, e olhava a qualquer pessoa no fundo dos olhos. Era a típica pessoa que dava e recebia atenção e intenções.

Maria Rosa deixou a imaginação correr após um dia em que ele disse que a roupa a qual vestia caia perfeitamente em seu corpo. E ela, que havia tempos não ouvia uma palavra que levantasse sua autoestima; que ainda estampava nas lembranças o traumatizante fim de casamento, rendeu-se àquele elogio.

A partir dali, ela só pensava em poder estar com ele. Não 1 dia apenas, mais 2, 3, vários dias, meses, anos. A paixão foi aumentando a cada olhar, a cada palavra deixada no ar.

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O problema agora seria extravasar o sentimento, poder falar-lhe, mas a timidez era maior. Certa tarde, porém, no intervalo da empresa, sozinha à mesa da lanchonete, sentiu a cadeira próxima a ela sendo puxada devagar.

Maria Rosa sentiu o perfume, o vulto de uma pessoa desejando sentar, e antes que pudesse virar para ver quem era, ouviu:

- Posso sentar?

Ela nada respondeu, de tão feliz que ficou. Com um sorriso puro e olhos admirados, balançou a cabeça de leve – não queria demonstrar a tamanha alegria do momento.

E o rapaz, seguro como sempre, não esboçava reação alguma de nervosismo. E foi dessa maneira que a convidou, com êxito, para sair.

Aguarde a continuação.

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