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publicado em 23/10/2012 às 04h50.
As quatro pétalas da Rosa
Maria Rosa Bárbaro, quando lhe perguntavam sobre o relacionamento, a resposta vinha mecanicamente com um sorriso insosso acompanhado de umas palavras mentirosas e fáceis de engolir

Após algumas semanas, posteriores àquele encontro, o novo casal já estava formado. Ele se mudou para a casa dela e ambos iniciaram um intenso romance. Maria Rosa aparecia sempre sorridente no escritório. Os colegas de trabalho já sabiam, apesar da discrição, que daquelas conversas particulares, daqueles adjetivos recíprocos, daquelas caronas descompromissadas iria surgir uma chama. A fumaça já estava à vista de todos, então, por que esconder o fogo? De que adiantava negar o namoro se ninguém mais duvidava do relacionamento?
As quatro pétalas da Rosa
Não demorou muito a revelação. Maria Rosa se renovava a cada dia. Diariamente uma roupa diferente, uma maquiagem especial, um penteado novo. Recuperou o tempo perdido com as lamentações, rejuvenescendo alguns bons anos. Nada mais justo para quem havia desistido da felicidade.
O problema de Maria Rosa não foi almejar ser feliz, mas a cilada em que havia caído. Maria Rosa, tão sensata e experiente; forte e sensível também, se deixara levar por palavras. Ela estava carente demais. Sabia que deveria ter cautela, que nem sempre as coisas acontecem do jeito e no tempo que queremos, mesmo assim ela resolveu encarar o risco. Não poderia ser pior que o ex-marido, ela pensava. Não poderia ser mais traidor e mascarado que ele, ela esperava.
Meses depois, Maria Rosa cruzava os corredores com um semblante não tão reluzente como nos dias anteriores. A princípio ninguém desconfiou. Nem mesmo a sua colega de baia.
As quatro pétalas da Rosa
Numa segunda-feira, depois de um longo feriado, Maria Rosa apareceu com um dos olhos vermelhos. Neste dia, só usou óculos escuros, avisando que estava com conjuntivite. A todos ao redor conseguiu enganar, menos à colega mais próxima, que nada falava ou fazia, senão fingir que acreditava.
E quando lhe perguntavam sobre o relacionamento, a resposta vinha mecanicamente com um sorriso insosso acompanhado de umas palavras mentirosas e fáceis de engolir:
- Está bem...
Daniel já havia deixado o trabalho. Decidiu por si só que não iria mais ao escritório. Maria Rosa era chamada agora de Rosinha – um retrato fiel de mulher fragilizada, abatida e subjugada.
Veja como termina a história de Maria Rosa Bárbaro.
