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Discalculia

Quando a matemática vira problema

Por Carlos Antonio
carlos.antonio@arcauniversal.com

Enfrentar problemas com o ensino da matemática é um fato presente na vida de muitas pessoas. E existem várias maneiras de explicar essa dificuldade que perturba tantos estudantes. Falhas na compreensão dos conceitos e deficiência de quem ensina são alguns dos motivos alegados para o problema, mas, na maioria dos casos, a razão desse horror à matéria pode ser resultado de um transtorno chamado de discalculia, que atinge cerca de 5% da população mundial, mas que é pouco conhecido.

Estudo realizado pelo matemático norte-americano Brian Butterworth revelou que entre 1,5 mil crianças examinadas, de 3% a 6% delas mostravam claros sinais de discalculia. Outras pequisas desenvolvidas nos Estados Unidos, Europa e Israel mostram que o percentual de alunos que sofrem do transtorno nestes países varia de 3% a 6,5%.

A discalculia pode ser definida como um transtorno estrutural da maturação das habilidades matemáticas, as quais incluem as habilidades linguísticas, perceptuais e de atenção. Não é causada por uma lesão cerebral e sim por disfunções neurológicas. O problema está associado às dificuldades específicas no processo da aprendizagem do cálculo, que se observam entre indivíduos de inteligência normal.

Os discalcúlicos têm medo de lidar com números, sentem-se incapazes de realizar cálculos mentalmente, demonstram dificuldades de entender o conceito e o manejo das operações e até mesmo de fixar a tabuada. Demoram mais para compreender as operações inversas como subtração e divisão. As noções de espaço e tempo também são comprometidas e os portadores da doença demoram para aprender a ler as horas, saber a sequência dos meses, do ano, lidar com as noções temporais de dia, mês e ano, ontem, hoje, amanhã e outras.

Para especialistas no estudo do problema, como a professora Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagoa, os discalcúlicos têm inteligência normal ou superior. E compensam seus problemas com a matemática com maior velocidade no aprendizado do grupo de matérias vinculado às ciências humanas. Perdem objetos frequentemente e são considerados distraídos. Alguns apresentam dificuldades para entender ordens e planejar estratégias em jogos, de lembrar regras e fórmulas. Também encontram dificuldades em dançar porque não lembram a sequência de passos de uma dança.

Na pré-escola, já é possível aos professores notar algum sinal do distúrbio, quando a criança apresenta dificuldade em responder às relações matemáticas propostas - como igual e diferente, pequeno e grande, muito e pouco, etc. Nas fases mais adiantadas da vida escolar, este transtorno também impede a compreensão dos conceitos matemáticos e sua incorporação na vida cotidiana.

O aluno discalcúlico pode adquirir o medo de enfrentar novas experiências de aprendizagem por desacreditar na sua capacidade.   A professora Quézia adverte que por desconhecerem o que está acontecendo com o estudante, pais, professores e até colegas assumem um tipo de comportamento repressivo que acaba abalando ainda a autoestima do portador do transtorno com críticas e punições. Por isso, é importante que se tenha, o quanto antes, o diagnóstico, que poderá ser feito de forma multidisciplinar, incluindo avaliação psicopedagógica e neurológica e, assim, começar o tratamento adequado.

Agência Unipress Internacional

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