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BC reduz Selic pela primeira vez no ano

Medida sinaliza preocupação com o desaquecimento da economia

Por Michele Roza
michele.roza@arcauniversal.com

Diante da queda da confiança do consumidor brasileiro e dos sinais da desaceleração da produção industrial do País, a taxa básica de juros Selic teve o índice reduzido, pela primeira vez no ano. Isso significa que o Banco Central (BC) está preocupado com o crescimento da economia brasileira.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em reduzir 0,5 ponto percentual a Selic – de 12,5% para 12% ao ano – interrompe o ciclo de cinco altas sucessivas, iniciado em janeiro (quando passou de 10,75% a 11,25%).

Em nota, o BC explica a medida a partir de uma reavaliação do cenário internacional, que apresenta instabilidade financeira, e de um alerta de desaquecimento do mercado interno do País.

Para o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Ometto, uma vez que a crise internacional fez estragos nas economias norte-americana e europeia, o Brasil deve se preocupar mais com o crescimento econômico e com o emprego. “Só uma forte redução de juros pode fazer com que o Brasil mantenha o ritmo, sem comprometer o controle dos preços. Hoje ainda temos o que o resto do mundo não tem: a demanda interna”, afirmou.

Expectativa do brasileiro

Dados do Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o otimismo do brasileiro caiu 1,1% em agosto, se comparado ao mês anterior. Em relação a 2010, a queda foi ainda maior, de 6,1%.

De acordo com a pesquisa, a preocupação de 69% dos consumidores com o aumento da inflação nos próximos 6 meses foi a principal razão para a queda na confiança.

Produção industrial

Apesar de voltar a crescer em julho, a produção industrial brasileira dá sinais de desaceleração. Conforme sondagem do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor contraiu-se em 0,3% em julho, comparado ao mesmo mês de 2010.

O resultado confirma a tendência de desaceleração após o crescimento de 10,5% no ano passado, a maior expansão do setor em 24 anos. Em comparação com junho deste ano, a produção de julho foi 0,5% superior.

Rogério Amato, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), aponta que a decisão do BC mostra o quanto atento está o órgão frente aos impactos negativos da crise internacional sobre a economia brasileira e aos sinais de desaceleração muito rápida da produção industrial. “Esperamos que o BC utilize também outros instrumentos para evitar que a desaceleração observada nos vários setores se aprofunde”, disse.

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