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publicado em 14/08/2011 às 04h50.
Incentivo à leitura
Estudantes universitários com domÃnio precário da lÃngua são, na verdade, o reflexo da falta do hábito ainda na infância

Apesar de ainda não saber ler, Letícia dos Santos, de apenas quatro anos, costuma ouvir histórias contadas pela mãe. Os contos são escolhidos pela própria criança e vão desde fábulas a algumas poesias infantis. Assim que ganhou os primeiros livros, a menina ficou encantada. “Praticamente todos os dias ela vem com o livrinho na mão e pede para alguém ler. Isso quase sempre na hora de dormir. O interesse vem da parte dela também e eu acho superimportante, porque ler é cultura e ainda estimula a imaginação”, diz a mãe Ruth Manço. E a menina completa: “Gosto de ouvir as historinhas porque eu sempre dou muita risada”, conta.
A questão da falta de leitura não se restringe apenas à fase infantil. De acordo com Darcília Simões, procientista da universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e líder do Grupo de Pesquisa Semiótica, Leitura e Produção de Textos (Seleprot), esta debilidade extrapola as primeiras séries e muitos alunos chegam à faculdade com domínio precário da língua. Para ela, a leitura propicia ao leitor a ampliação do universo.
Segundo a profissional, a leitura deve ser cultivada pelos pais ainda na infância e são eles que devem demonstrar esse hábito. “Não basta apenas incentivarem os filhos com palavras. Neste caso, a atitude vai ter melhor retorno”, afirma. A procientista relembra ainda o caso de um rapaz cujo pai era catador de papel e alcoólatra e a mãe trabalhava como faxineira. “Ele queria ler, mas não tinha acesso aos livros. Ele encontrava literatura no meio dos papeis que o pai juntava e os lia. Apesar de sua condição financeira precária, ele conseguiu superar esses momentos e hoje é doutor pela PUC do Rio de Janeiro e trabalha como professor em uma faculdade na Paraíba”, destaca.
No caso de pais que não tiveram acesso ao estudo, a professora afirma que o acompanhamento também é importante, uma vez que há uma demonstração de incentivo. “O trabalho da leitura nas escolas ainda é precário. Muitas crianças chegam com problemas e o profissional acaba não dando o incentivo necessário. Os pais têm um papel fundamental nesse sentido. A leitura é o veículo mais importante, no qual as pessoas ganham autonomia intelectual”, declara.
Agência Unipress Internacional
