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Incentivo à leitura

Estudantes universitários com domínio precário da língua são, na verdade, o reflexo da falta do hábito ainda na infância

Colaborou Neia Meneses / Fotos: José Célio
neiameneses@arcauniversal.com

Apesar de ainda não saber ler, Letícia dos Santos, de apenas quatro anos, costuma ouvir histórias contadas pela mãe. Os contos são escolhidos pela própria criança e vão desde fábulas a algumas poesias infantis. Assim que ganhou os primeiros livros, a menina ficou encantada. “Praticamente todos os dias ela vem com o livrinho na mão e pede para alguém ler. Isso quase sempre na hora de dormir. O interesse vem da parte dela também e eu acho superimportante, porque ler é cultura e ainda estimula a imaginação”, diz a mãe Ruth Manço. E a menina completa: “Gosto de ouvir as historinhas porque eu sempre dou muita risada”, conta.

A questão da falta de leitura não se restringe apenas à fase infantil. De acordo com Darcília Simões, procientista da universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e líder do Grupo de Pesquisa Semiótica, Leitura e Produção de Textos (Seleprot), esta debilidade extrapola as primeiras séries e muitos alunos chegam à faculdade com domínio precário da língua. Para ela, a leitura propicia ao leitor a ampliação do universo.

Segundo a profissional, a leitura deve ser cultivada pelos pais ainda na infância e são eles que devem demonstrar esse hábito. “Não basta apenas incentivarem os filhos com palavras. Neste caso, a atitude vai ter melhor retorno”, afirma. A procientista relembra ainda o caso de um rapaz cujo pai era catador de papel e alcoólatra e a mãe trabalhava como faxineira. “Ele queria ler, mas não tinha acesso aos livros. Ele encontrava literatura no meio dos papeis que o pai juntava e os lia. Apesar de sua condição financeira precária, ele conseguiu superar esses momentos e hoje é doutor pela PUC do Rio de Janeiro e trabalha como professor em uma faculdade na Paraíba”, destaca.

No caso de pais que não tiveram acesso ao estudo, a professora afirma que o acompanhamento também é importante, uma vez que há uma demonstração de incentivo. “O trabalho da leitura nas escolas ainda é precário. Muitas crianças chegam com problemas e o profissional acaba não dando o incentivo necessário. Os pais têm um papel fundamental nesse sentido. A leitura é o veículo mais importante, no qual as pessoas ganham autonomia intelectual”, declara.

Agência Unipress Internacional

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