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publicado em 12/08/2011 às 04h50.
Tempestades no Sudeste do Brasil irão triplicar nos próximos 60 anos
Previsão é de um estudo do Inpe, que atribui o fenômeno ao aquecimento global, à urbanização e aos estragos provocados pelo efeito estufa nas grandes cidades

A elevação da temperatura das águas do Oceano Atlântico, em decorrência do aquecimento global, pode fazer as tempestades se intensificarem na região Sudeste do Brasil, no futuro. Essa é a constatação de um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).
A pesquisa concluiu que as tempestades em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro serão duas vezes maiores dentro de 60 anos, se comparadas ao volume atual. Em municípios das regiões litorâneas, a incidência de chuvas fortes será três vezes maior do que é hoje.
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Para se chegar a essa conclusão, foi levado em conta o ritmo de aquecimento do Oceano Atlântico nos últimos 60 anos. As águas do local ficaram 0,6ºC mais quentes, enquanto a temperatura do planeta subiu 0,8ºC no mesmo período. Com a previsão de que esse ritmo seja mantido, é possível esperar cada vez mais chuvas daqui para frente, acredita Osmar Pinto Junior, coordenador do Grupo de Elasticidade Atmosférica do Inpe.
"A coisa vai piorar, do ponto de vista climático. As chuvas vão aumentar, isso é fato. Reverter isso é diminuir a emissão dos gases do efeito estufa. No curto prazo, é uma tarefa improvável. O que resta é nos prepararmos para minimizar os efeitos", alerta.
A urbanização e os estragos do efeito estufa também intensificam o problema nas grandes cidades, segundo o estudo. Em São Paulo, por exemplo, a temperatura ficou, em média, 2ºC mais alta nos últimos 60 anos, ante 0,6º em regiões tropicais do País.
Novo sistema de medição e prevenção
Na tentativa de prevenir o aumento das chuvas, o Inpe já começou a instalar um novo sistema de medição de raios, que visa identificar e prever tempestades severas. Batizado de BrasilDAT, ele irá permitir a verificação da incidência desses fenômenos naturais que ocorrem apenas no céu. Atualmente, só as descargas que atingem o solo são identificadas.
"As descargas permitem retratar a intensidade de uma tempestade. O sistema vai possibilitar que se tenha essa informação com cerca de meia hora de antecedência", explica o coordenador, ressaltando que, mesmo assim, é preciso melhorar a comunicação entre os diversos órgão e entidades, para que seja possível impedir catástrofes futuras.
