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publicado em 04/10/2012 às 04h50.
A fé sacrificial
Não há manifestação da fé sem a ação do sacrifício e vice-versa

A fé é o único instrumento para a Salvação eterna. Somente ela tem poder para justificar, transformar e fazer-nos tomar posse de todas as promessas bíblicas. Também ela é a responsável pelo verdadeiro amor, o amor que nasce de Deus. Ela torna possível o amor de Deus em nossos corações, pois como poderíamos amar quem não conhecemos? E ela nos faz conhecer a Deus, e do Seu Espírito vem o derramamento de amor em nossos corações. Portanto, sem a fé, o amor não passa de um sentimento puramente humano, passageiro e vulgar.
Não há manifestação da fé sem a ação do sacrifício; assim como também não há sacrifício sem a manifestação da fé. A fé e o sacrifício caminham juntos. Um depende do outro, e não se pode separá-los. O Senhor Deus, Autor e Consumador da fé, manifestou esse tipo de fé, a fé sacrificial, quando ofereceu Seu único Filho para que, através d'Ele, pudesse gerar outros filhos.
Essa é a qualidade de fé exigida para a conquista. Os antigos heróis da fé praticaram essa qualidade de fé, por isso foram justificados diante de Deus e conquistaram tudo. Mas tiveram de pagar com sacrifício a posse de uma fé prática agradável a Deus e geradora de recursos. "Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas..." (Hebreus 11.4).
Abel é o primeiro exemplo de fé sacrificial. Porque, pela fé, ele ofereceu!Ou seja, em virtude de sua fé, ele sacrificou. Sua fé foi acompanhada de sacrifício. Não tivesse ele manifestado a fé sacrificial, jamais tomaria das primícias do seu rebanho para Deus! Já a fé de seu irmão Caim não agradou a Deus, porque faltou sangue no seu sacrifício ou vida na sua fé!
Assim também acontece com as pessoas religiosas: elas têm fé e até fazem seus sacrifícios, mas não do tipo que agrada a Deus, pois são incapazes de oferecer sacrifícios com sangue ou fé viva. Por isso, mesmo crendo em Deus, ainda assim elas continuam derrotadas!
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Noé provou a sua fé em Deus sacrificando cem anos de sua vida na construção de uma arca. Porém, mais tarde, ela veio salvar sua vida e a de sua família. Abraão mostrou sua fé viva em Deus quando sacrificou sua vontade para fazer a de Deus. Abandonou sua terra, sua parentela e a casa de seu pai para ir a uma terra que Deus ainda iria mostrar.
Como vemos, os atos de fé dos antigos fizeram-nos obter méritos diante de Deus; a crença deles acompanhada de sacrifícios fê-los tomar posse das grandezas de Deus. O que não existia veio à existência por causa do exercício da sua fé viva.
A Bíblia ensina, também, que a fé viva é o poder de Deus emprestado ao ser humano para servir como Seu cooperador na Terra. Desde o dia de sua criação, o Criador nunca realizou qualquer milagre na Terra sem a participação da Sua criatura. Para que os filhos de Israel fossem livres da escravidão e se tornassem uma nação livre e poderosa, Deus teve de usar um homem: Moisés.
Para que o sol e a lua ficassem retidos por quase um dia inteiro, foi necessária a palavra de fé de Josué. Para que um gigante caísse nas mãos de um menino, foi necessária a existência de Davi. Para que o cego de Jericó pudesse ter a visão restaurada, foi necessário o seu clamor. Em cada milagre narrado na Bíblia houve a participação do ser humano. Até podemos dizer que os primeiros cinquenta por cento do milagre começam com o ser humano. E, quando este faz a sua parte, Deus completa fazendo a d'Ele.
Depois de haver criado o homem, Deus lhe deu autoridade para governar a Terra, dando-lhe domínio sobre toda a criação. Os tempos mudaram, mas o Senhor não! Creio que Ele continua querendo fazer parceria com a Sua criatura para a realização da Sua obra. Mas para haver parceria do Criador com a criatura é imprescindível haver, também, um elemento que os una. Esse elemento de ligação é a fé ativa. Ela é a única ponte de comunicação entre o homem e Deus, pois ela nos faz dependentes d'Ele. Daí a razão por que ela não pode ser teórica. Se nós a fizermos teórica, então as promessas divinas serão teóricas também! O justo vive pela fé, ou seja, sua vida depende da fé; e depender dela é depender de Deus. Por isso o Senhor disse: "...o meu justo viverá pela fé..." (Hebreus 10.38).
A qualidade de fé é expressa através do sacrifício. A qualidade do sacrifício aponta a qualidade de fé, e esta traz qualidade de vida. A fé que dispensa o sacrifício é a fé teórica. Foi essa a qualidade de fé que o Senhor Jesus encontrou nos religiosos de Sua época. A fé farisaica, ou seja, a observância da lei que eles impunham ao povo, mas não praticavam. E o mundo sempre esteve cheio de fé mental, a fé sem vida, a fé descompromissada com Deus, enfim, a fé de paramentos que encanta os olhos, mas engana os corações.
A fé social conflita com a fé bíblica porque ela fica desmascarada. Ela tem muita aparência de santidade, porém é como sepulcro caiado e enfeitado de anjinhos, mas lá dentro não há nada que sirva. Assim é a fé social: não liberta não cura, não produz nenhum benefício, e o pior: não salva.
(*) Trecho do livro Fé e Sacrifício do bispo Edir Macedo.
