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O reflexo do seu interior

Nossos olhos retratam toda a nossa intimidade, o que está no coração, ainda que a boca esteja calada

Trecho do livro "O caráter de Deus", do bispo Edir Macedo
redacao@arcauniversal.com

"E eu vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele. Todo o povo que o ouviu e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João;" Lucas 7.28,29

O Senhor Jesus, a fim de fazer com que os Seus seguidores pudessem compreender a natureza do Criador, em simples palavras lhes revelou todo o caráter de Deus:

"São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!" Mateus 6.22,23

Assim como os olhos são a lâmpada do corpo, também "O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo." (Provérbios 20.27). Ora, da mesma forma pela qual o espírito do homem revela para Deus o seu íntimo, também os seus olhos revelam exteriormente o seu caráter, o que ele tem dentro de si.

Torna-se fácil saber o que está acontecendo com uma pessoa quando se olha no fundo dos seus olhos. Se ela tem alguma coisa oculta no seu interior, naturalmente procura desviá-los, revelando inconscientemente sua preocupação. Se, por outro lado, ela encara e não se intimida perante o outro, então os seus olhos logo refletem a sua tranquilidade, por não estar escondendo nada.

Aliás, apenas como curiosidade, dizem os biólogos e pesquisadores que há uma raça de urubus que somente come a carniça depois que o urubu-rei, começando pela análise dos olhos do animal morto, liberar o corpo.

Quando o Senhor Jesus ensinou aos Seus discípulos daquela maneira, certamente queria exortá-los a tomarem todo o cuidado possível com o seu interior, a fim de que este refletisse no exterior a plenitude da presença de Deus.

Sim, porque não adianta anunciarmos a Palavra de Deus ao mundo apenas teoricamente, e vivermos uma vida diferente daquilo que pregamos. É preciso que tenhamos atitudes semelhantes às do nosso Senhor, pois de que vale pregarmos a Cristo e vivermos o anticristo?

De que vale manifestarmos amabilidade e simpatia no púlpito, se quando descemos dele, ou saímos da igreja, mudamos nossas atitudes? Não podemos ser como o camaleão, que muda de cor conforme o ambiente em que se encontra.

Nossos olhos retratam toda a nossa intimidade, o que está no coração, ainda que a boca esteja calada. Eles não apenas revelam o nosso caráter aos outros, mas também nos fazem ver as coisas de acordo com o que temos no coração.

Observemos os olhos de Deus, na Pessoa do Seu Filho, o Senhor Jesus, quando Ele encontrou Maria Madalena, a quem dizem ter sido prostituta. Se os Seus olhos fossem maus, certamente Ele a condenaria, repreenderia e chamaria a sua atenção, apenas para que ela não agisse daquela maneira; Ele, entretanto, compreendeu-a, porque olhou para ela com bons olhos, os olhos de amor, ternura e compaixão.

Ela, a exemplo de tantos outros que têm sido vistos pelo Mestre, também possuía o lado bom, isto é, as suas qualidades. E é assim que nós, cristãos, devemos cultivar o nosso interior: fazê-lo se acostumar a ver as pessoas, quer sejam cristãs ou contrárias à fé, pelo seu lado bom, com "bons olhos", para que todo o nosso interior seja iluminado.

Se olharmos as pessoas com preconceito, é certo que, mais cedo ou mais tarde, a nossa língua, que vive a coçar, manifestar-se-á e acabará por provocar uma inimizade com aquela pessoa, chegando até a "vaciná-la" contra o Senhor Jesus, em quem nós tanto cremos.

Se os nossos olhos forem bons, por onde quer que formos haveremos de manifestar a luz que há em nós, e todos os que nos virem saberão que somos diferentes das demais pessoas deste mundo, pois estaremos testemunhando de modo eficaz a respeito d’Aquele que está em nós!

Do modo como vemos, seremos vistos; como julgarmos, seremos julgados; se amarmos, seremos amados; se perdoarmos, seremos perdoados; se abençoarmos, seremos abençoados!

"Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a sua ira? (Falo como homem.) Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo? E, se por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda condenado como pecador?" Romanos 3.5,6

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