Noticias

Trabalhar para Deus

Seu cotidiano vale mais para Ele do que você pensa

Da Redação / Fotos: Thinkstock
redacao@arcauniversal.com

Certa vez estava eu numa escadaria próxima à minha mesa no trabalho. Eis que passa, inesperadamente, meu chefe.

– Pensativo aí?

– Orando.

Não era mentira, tampouco desculpa esfarrapada. Eu orava mesmo.

Precisava entregar um texto para o qual me pediram atenção bastante especial. Não que os outros textos também não a tivessem, mas aquele era um projeto diferente, algo edificante, que tivesse um bom reflexo em quem lesse. Então, após ter pensado muito e não ficar satisfeito com nada que vinha à mente, saí da redação, apoiei-me na grade da escadaria, ao ar livre, e pedi ao Espírito Santo que me orientasse.

Ali, parecia que eu olhava distraidamente o grande estacionamento coalhado de carros, a linha dos edifícios no horizonte, os helicópteros que riscavam o céu azul. Claro que isso tudo não me escapava, mas o pensamento ia bem além: eu usava o acesso que nós temos ao Pai, o que foi garantido por Jesus em seu sacrifício.

Uns podem pensar que eu fui fútil ao orar por uma coisa dessas, enquanto tanta gente precisa de coisas mais urgentes e vitais. Outros, que foi um certo exagero de minha parte. Não acho. Todo trabalho decente é importante, e Deus nos permite realizá-lo. E se Ele me permite, pode me ajudar. Ainda que não seja algo tão difícil, eu gosto de contar com Ele.

Exatamente aí entra a questão à qual queria chegar.

Era para Ele que eu realizava aquele trabalho.

Como assim?

Quando eu não pensava em Deus como hoje penso, trabalhava e estudava. Tinha em mim as ideias de ser um bom profissional, de me aprimorar a cada dia (daí o estudo), de não me satisfazer se eu pudesse ser melhor do que aquilo. Corria atrás, me esforçava. E até conseguia. Chegava até a conseguir mais do que havia desejado.

Mas o fazia por mim. Fazia simplesmente porque achava que era a obrigação de todo mundo.

Até é mesmo a obrigação de todos, se pensarmos direito. Claro que eu também sentia prazer no trabalho, me via sempre encorajado a conseguir mais, a me desenvolver. Mas era para cumprir o que estava no contrato assinado com o empregador: realizar um bom trabalho.

Ainda assim, faltava algo.

Com o tempo, percebi o que era.

Eu queria fazer tudo direito, entregar bons trabalhos, ficar satisfeito e satisfazer o cliente. Mas queria fazer isso, sem perceber, sozinho.

Por mim, e só.

Por mais que eu estivesse bem intencionado com aquela atitude, ela não era correta. A intenção era boa. Ótima. Porém, bem longe da atitude ideal.

Só então, percebi que eu me enganava. Por que cargas d’água eu deveria fazer algo somente por mim, se Jesus está comigo o tempo todo?

Obviamente, Ele ajuda. Obviamente, da mesma forma, há uma parcela sob nossa responsabilidade: o suor. O esforço. Ele lhe garante uma boa safra, mas sem você ter semeado, vai colher o quê?

Portanto, mesmo antes de começar um trabalho, comecei a entender e a sentir a presença dEle no processo. Enquanto eu pensei e repensei, nada me veio. A partir de uma oração silenciosa à beira da escadaria, tudo fluiu. Eu já não fazia mais o trabalho sozinho.

Mas não pense que o assunto acabou nisso.

Oferta

Nos tempos bíblicos, ainda lá no Antigo Testamento, usava-se muito a figura do sacrifício. Os judeus que iam ao Tabernáculo e queimavam suas ofertas sobre o altar. E não queimavam qualquer coisa: era sempre um animal sem defeitos, geralmente o mais bonito entre os novilhos, os cordeiros, os cabritos. A Deus, não era oferecida qualquer coisa.

Hoje, após o sacrifício vivo de Cristo, não precisamos mais queimar os animaizinhos, (felizmente). Fazemos nossas ofertas de outras formas.

Os dízimos e ofertas são importantes, mas não bastam. Há algo que vai bem além deles, para Deus.

O que somos. O que fazemos.

E nosso trabalho está entre as coisas que fazemos. E o que somos é uma parte muito importante de sua matéria-prima.

Então, nosso trabalho bem realizado pode ser oferecido em honra a Deus, que nos permite realizá-lo.

Sempre que conseguimos elaborar e fazer funcionar bem um projeto, deixar o empregador e o cliente satisfeitos, contentes com nosso desempenho, felizes com o resultado, esse contentamento também chega a nós. Por que, então, não oferecê-lo a Deus? Pode até ser algo simples, de que Ele não precisa. Mas é o nosso “cheiro agradável que sobe aos céus”, como está escrito na Bíblia.

E trabalho é trabalho, do mais simples ao mais complexo. Pode ser simplesmente a pia da sua cozinha limpinha e cheirosa após você livrá-la daquela pilha de louças, enxutas e guardadas no capricho. Pode ser um sapato bem engraxado. Um relatório bem escrito. Um atendimento decente a um cliente, com educação. Uma parede bem pintada. Uma tese de mestrado bem defendida (após meses ou anos de intensa pesquisa). A cura para uma doença grave. Um filme que consumiu 24 meses de trabalho do diretor e de uma equipe de centenas que leva um prêmio merecido. Pode ser um império empresarial multinacional dirigido por você, que teve bons resultados ao fim daquele ano. Uma vida salva numa mesa de cirurgia. Um astronauta que pisa pela primeira vez onde ninguém de sua raça pisou antes – “audaciosamente indo aonde ninguém jamais esteve”, lembra?

Qualquer trabalho, desde que realizado com competência e seriedade.

Qualidade é imprescindível

Claro que todos nós ficamos cansados, e nem todos os dias no trabalho são aquele prazer todo. O estresse mata, para quem não sabe. E trabalhar pode ser ótimo, mas cansa. Para isso, Deus já havia pensado, milhares de anos atrás, no descanso. Quem não sente os benefícios de 30 dias de férias, de um final de semana ou até da simples pausa de 10 minutos para o cafezinho, que faz o sangue voltar a circular pelas pernas e pelo cérebro?

Cansaço diminui a qualidade do trabalho. Diminui a qualidade de vida. Os resultados não saem como queríamos, embora tenhamos nos esforçado. Então, baterias recarregadas após as folgas, é hora de trabalhar de novo, e com gosto.

Aí voltamos a oferecer a Deus não só o fruto de nossa lida – mas também ela própria.

E para Deus, não podemos oferecer qualquer porcaria, certo?

Não dá para entregar a Ele um trabalho feito “empurrado com a barriga”. Não é de bom tom ofertar ao próprio Senhor aquilo que alguém ficou enrolando para esticar o prazo, com preguiça, e quando não havia mais tempo de sobra, fez qualquer coisa só para “preencher tabela” e entregar.

Não dá para oferecer a Deus um trabalho em que alguém levou uma indevida vantagem, ou levou os créditos pelo que outra pessoa, que se esforçou mais, fez.

quem trabalhe bem de verdade, há quem embrome bastante e goste de vender a ideia de que é um tremendo profissional – quando na verdade até é: um enrolador profissional.

Aquele que sempre tem desculpas esfarrapadas.

Então, um trabalho bem realizado, ainda que cansativo ou a longo prazo, pode, sim, ser oferecido a Deus com sinceridade de coração.

Isso até dobra o prazer de quem dá o dízimo ou a oferta de acordo com sua vontade e fé, pois são dividendos conseguidos honesta e competentemente.

Por mais simples, por mais complexo, se bem realizado o serviço, Ele se compraz. Pois Ele estava com você na hora da elaboração, do suor, e via o seu compromisso em entregar um trabalho benfeito.

Não importa sua formação, sua origem. Ofereça a Ele.

E bom trabalho.

 

“Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos.

Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem.”


Salmo 128:1-2

 

COMPARTILHAR

  Deixe um comentário