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Profissão de risco

Motoristas estão sujeitos a várias doenças

Por Carlos Antonio
carlos.antonio@arcauniversal.com

Trabalhar várias horas submetido a uma forte carga de estresse expõe o motorista profissional a mais riscos. Quem trabalha à noite, por exemplo, está exposto a um risco 40% maior de desenvolver doenças cardiovasculares do que os trabalhadores diurnos. A dessincronização dos ritmos cardíacos, alterações nos horários das refeições, alterações metabólicas, alterações comportamentais nocivas à saúde, estresse e débito de sono são alguns dos problemas que costumam afetar os motoristas profissionais, principalmente os que dirigem ônibus e caminhões.

Segundo a professora Elaine Marqueze, que estuda os problemas da classe, os motoristas têm, por característica, uma jornada extensa de trabalho, o que os leva à privação crônica de sono. Por ter uma carga de trabalho muito pesada, esses profissionais costumam ter uma vida sedentária e possuem hábitos alimentares inadequados. Além disso, muitos são fumantes e hipertensos, o que complica ainda mais a situação.

Para Elaine, um dos principais fatores de risco é a elevada prevalência de obesos nessa categoria profissional, em torno de 28%. E estudos científicos já mostraram que pessoas obesas parecem ser mais vulneráveis ao estresse. Ela explicou que essa característica coloca essa população em risco para uma série de patologias cardiovasculares, tais como hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia e coronariopatias.

A professora acredita que a regulamentação da profissão de motorista e a diminuição das longas jornadas de trabalho também são exemplos de prevenção das doenças.

Alteração hormonal

Grupo de estudos coordenado pela professora Cláudia Moreno chegou à conclusão de que outro importante fator de risco é a elevação do hormônio cortisol, também conhecido como o hormônio do estresse. Foram observadas elevadas concentrações do cortisol em motoristas de caminhão que trabalham em horários irregulares.

Já o médico Zuher Handar, diretor científico da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, acredita que o estresse dos motoristas pode estar relacionado aos riscos da profissão, com a elevada demanda, horários irregulares e aspectos sociais. Para Handar, os médicos do trabalho têm um novo desafio no atendimento ao trabalhador, que é a obrigação de olhar o indivíduo por inteiro, para que possa ser garantida uma atenção integral à sua saúde.

O especialista acredita que a realização de programas de bem-estar aos motoristas, incluindo ações educativas e atividades de apoio e cooperação aos restaurantes de paradas, nos casos dos motoristas de caminhão, são fundamentais para prevenir o aparecimento dos fatores de risco, tal como a obesidade.


Agência Unipress Internacional

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